Talibã reprime protesto de mulheres no Afeganistão
Publicado em 16 Jun 2026

A repressão contra as mulheres no Afeganistão voltou a ganhar destaque após um protesto realizado na cidade de Jebrail, em Herat. No dia 9 de junho de 2026, mulheres saíram às ruas para denunciar medidas do Talibã relacionadas com alegadas violações dos códigos de vestuário, mas a mobilização terminou em violência.
Segundo órgãos de comunicação internacionais, a manifestação foi pacífica. Ainda assim, combatentes do Talibã responderam com disparos, resultando em mortos, feridos e detenções.
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Morte de menino durante protestos é confirmada
Durante o protesto, as mulheres entoavam frases como “educação, trabalho, liberdade”, demonstrando a sua insatisfação com as restrições impostas nos últimos anos.
Essas medidas incluem limitações no acesso à educação e ao mercado de trabalho. Apesar do carácter pacífico da manifestação, testemunhas afirmam que houve repressão imediata.
Informações divulgadas por diferentes fontes, como o jornal The Guardian e a agência de notícias CBS, indicam que pelo menos duas pessoas morreram, enquanto mais de uma dezena ficou ferida.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) confirmou a morte de um menino atingido por tiros e relatou que outras pessoas foram agredidas com bastões. Ainda está em investigação a possível existência de uma segunda vítima mortal.
Polícia nega mortes e repressão violenta aos protestos no Afeganistão
Fontes locais apontam números mais elevados de vítimas. De acordo com testemunhas, houve mortos, feridos e pelo menos 13 detenções após o confronto. Profissionais de saúde também relataram ter prestado assistência a vítimas com ferimentos provocados por armas de fogo.
Por outro lado, as autoridades em Herat minimizaram o ocorrido. A polícia local afirmou não ter conhecimento de mortes e declarou que a intervenção teve como objetivo manter a ordem pública, não responder com brutalidade.
Comunidade vulnerável: riscos para o povo hazara
O protesto teve lugar numa área habitada maioritariamente pelo povo hazara. Este grupo étnico, em grande parte muçulmano xiita, enfrenta discriminação histórica no país.
Os hazaras estão entre os mais vulneráveis no Afeganistão, especialmente sob o governo do Talibã, que segue a vertente sunita do islamismo. Para além da perseguição religiosa, enfrentam também marginalização social e violência.
Situações como esta reforçam o cenário de pressão vivido por minorias religiosas e por mulheres no país, que ocupa a 11.ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, que identifica os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos.
Apelo por dignidade
Um parceiro da organização Portas Abertas manifestou preocupação com os acontecimentos. Segundo ele, este episódio evidencia a necessidade urgente de respeito pelos direitos básicos das mulheres e encoraja a Igreja global a interceder em oração pelos cristãos afetados pela instabilidade no Afeganistão.
“Estamos preocupados com o incidente que aconteceu em Herat e entristecidos com as mortes e os feridos. As mulheres devem ter o direito de viver em liberdade e com dignidade. Devem ter acesso à educação e a oportunidades de trabalho na sociedade afegã.”
— Parceiro da Portas Abertas
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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