Quem são os cristãos de origem muçulmana?
Publicado em 27 Mai 2026 • Atualizado em 20 Mai 2026

Os cristãos de origem muçulmana são aqueles que nasceram em famílias islâmicas e, posteriormente, decidiram abandonar a fé dos seus pais para seguir Jesus. Assim, podem viver em qualquer parte do mundo.
Existe perseguição aos cristãos de origem muçulmana?
Quando vivem em países onde há liberdade religiosa, estes cristãos geralmente não enfrentam violência física, mas sofrem pressão por parte da família e da comunidade. Contudo, quando residem em países de maioria islâmica, é provável que enfrentem perseguição por parte da família, da comunidade, de líderes religiosos e do próprio governo.
De acordo com os dados da Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2024, 39 dos 50 países listados apresentam a opressão islâmica como uma das formas de perseguição. Isto significa que comunidades e famílias cristãs vivem sob domínio islâmico.
Como ocorre a perseguição aos cristãos de origem muçulmana?
A perseguição pode manifestar-se de diversas formas: discriminação, insultos, exclusão social, despedimento, agressões físicas e sexuais, imposição de casamento ou divórcio, prisão, condenação e até morte. Quando descobertos por extremistas islâmicos, estes cristãos podem ser mortos imediatamente, por serem considerados traidores da fé islâmica, vista como a única legítima naquela região ou nação.
Adam* é um cristão de origem muçulmana de 19 anos, no Iémen. Desde que começou a seguir Jesus, já foi preso e atacado por familiares e membros da comunidade. “Se a pessoa errada descobrir que sigo Jesus, não sei o que poderá acontecer. Ainda assim, nunca quero abandonar Jesus. A experiência na prisão fortaleceu a minha fé. Estou ainda mais motivado a memorizar as Escrituras. É isso que desejo: que a Palavra de Deus esteja profundamente enraizada no meu coração”, testemunha.
Perseguição a homens e mulheres
A hostilidade varia conforme o sexo. No caso dos homens cristãos, o alvo é fragilizar o seu papel de líder familiar e destruir o seu prestígio social. Frequentemente enfrentam assédio no trabalho, boicote nos negócios, perda de herança, divórcio forçado, perda de rendimentos, agressões, prisão, recrutamento forçado e até morte.
Já as mulheres cristãs de origem muçulmana enfrentam prisão domiciliária, agressões físicas e sexuais, casamento e divórcio forçados, rapto, expulsão do lar, perda de herança e da guarda dos filhos, além de prisão.

No Irão, Sahar* foi expulsa de casa pelo marido ao descobrir a sua nova fé. Foi obrigada a deixar os seus dois filhos, por se recusar a negar Jesus. “Clamei a Deus, perguntando‑lhe por que razão me fez mãe e, depois, permitiu que eu passasse por isto. O meu coração ficou despedaçado, como ser humano, como mulher, mas sobretudo como mãe”, testemunha a cristã.
Riscos durante os feriados religiosos
Durante celebrações islâmicas, como o Ramadão, os cristãos tornam-se mais vulneráveis a ataques, numa tentativa de puni-los por abandonarem a religião e a cultura, e de os forçar a regressar à fé dominante. Podem ser perseguidos por não cumprirem o jejum e outros rituais.
Já em datas como o Natal e a Páscoa, correm maior risco quando se reúnem com outros seguidores de Jesus, pois grupos extremistas aproveitam estas ocasiões para atacar o maior número possível de “infiéis”.
Perseguição por parte do governo e das autoridades
Em países onde o Islão é a religião oficial, a legislação baseia-se frequentemente na sharia (lei islâmica).
Abandonar o Islão para seguir Jesus é considerado crime segundo as leis anticonversão. As punições podem incluir castigos físicos, prisão, exílio e até a morte.

O pastor Hakim é um cristão de origem muçulmana na Ásia Central. Era vigiado por agentes de segurança do governo, tendo já sido preso, interrogado, agredido e ameaçado. Tudo isto por acolher e discipular outros cristãos que deixaram a fé islâmica. Perante tamanha perseguição, o líder cristão viu-se obrigado a fugir com a sua família para outro país da região.
Como a Portas Abertas apoia estes cristãos?
A Portas Abertas apoia cristãos de origem muçulmana através da distribuição de Bíblias e literatura cristã, formação em liderança e resistência bíblica à perseguição, apoio socioeconómico, acompanhamento pós-trauma e assistência jurídica.
Akram foi preso no Bangladesh devido a falsas acusações feitas pelos próprios familiares. Durante os 81 dias de detenção, a Portas Abertas cuidou da sua esposa e filhos. “Agradeço a todos os que oraram continuamente por nós e apoiaram a minha família durante a minha ausência. Vocês socorreram a minha esposa, encorajaram-nos, oraram e providenciaram alimento para a minha família”, testemunha.
*Nomes alterados por motivos de segurança.
Socorra cristãos em maior necessidade
Muitos cristãos de origem muçulmana vivem à margem da sociedade e necessitam de alimentos, água e abrigo. Considere fazer uma doação e ajudar estes irmãos nas suas necessidades essenciais.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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