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Quem é Leah Sharibu? 

A cristã nigeriana encontra-se desaparecida desde 19 de Fevereiro de 2018

Publicado em 03 Jun 2026 • Atualizado em 20 Mai 2026

Leah Sharibu representa milhares de outras jovens cristãs sequestradas por extremistas islâmicos na Nigéria

Leah Sharibu é uma jovem cristã que foi sequestrada juntamente com outras 109 estudantes na localidade de Dapchi, no Norte da Nigéria. Tinha apenas 14 anos quando foi levada pelo grupo extremista Boko Haram, a 19 de Fevereiro de 2018. Com o passar dos anos, o Boko Haram sofreu fragmentações internas, sendo o seu braço extremista conhecido como Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) frequentemente apontado como responsável por este rapto. 

Um mês após o sequestro, quase todas as raparigas capturadas foram libertadas; seis perderam a vida a caminho do cativeiro, e a seguidora de Jesus continua nas mãos do grupo jihadista. A jovem cristã permanece refém por se ter recusado a usar o hijab (véu muçulmano) e a converter-se ao islão. 

Veja informações recentes na notícia: Leah Sharibu completa oito anos em cativeiro na Nigéria.

O que aconteceu após o sequestro de Leah Sharibu? 

Em Abril de 2018, os líderes cristãos Justin Welby e Josiah Idowu-Fearon apelaram ao então Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, para que fizesse tudo o que estivesse ao seu alcance a fim de garantir a libertação de Leah Sharibu. Na ocasião, o Chefe do Poder Executivo afirmou que estava a tratar do caso “de forma discreta” e que contava com o apoio de organizações como a Cruz Vermelha. 

Dias depois, durante uma visita aos Estados Unidos, Buhari prometeu resgatar Leah e outras meninas sequestradas de Chibok, na Nigéria. Contudo, Nathan Sharibu, pai da jovem cristã, acusou o governo de ter abandonado a família. Saiba quem são as meninas de Chibok e de que forma os raptos de jovens cristãs afectam a Igreja na Nigéria. 

Rebecca Sharibu Segurando Um Quadro Da Filha
Desde 2018, enquanto permanece em cativeiro, Leah Sharibu tem recebido inúmeras homenagens e manifestações de apoio

 Em Agosto, o Presidente nigeriano recebeu um áudio de Leah, no qual a jovem dizia: 

“Imploro às autoridades públicas que ajudem a minha mãe, o meu pai, o meu irmão mais novo e os meus familiares. Por favor, ajudem-me a sair deste sofrimento. Suplico que tenham compaixão por mim. Apelo ao governo, em particular ao Presidente, para que tenha piedade de mim e me retire desta situação tão grave. Obrigada.” 

Um problema nacional 

Ainda em 2018, o Presidente Buhari falou, pela primeira vez, com Rebecca Sharibu, mãe de Leah. Poucos dias depois, os jihadistas assassinaram Hauwa Leman, funcionária da Cruz Vermelha, e ameaçaram nunca libertar a jovem cristã. No entanto, esta situação é reflexo de uma crise muito mais ampla na Nigéria, frequentemente ignorada por muitos. 

O Ministro da Informação, Alhaji Lai Mohammed, pronunciou‑se publicamente sobre o caso, afirmando: “Os nigerianos devem reconhecer que cada um dos nossos cidadãos, seja rapaz ou rapariga, muçulmano ou cristão, é precioso para nós. Não devemos olhar para Leah Sharibu como cristã ou muçulmana, mas como uma filha amada da nação.” 

Em Abril de 2019, um porta‑voz do Presidente Buhari garantiu que existiam progressos nas investigações; no entanto, até hoje, nada de concreto se verificou. Na ausência de informações oficiais, diversos rumores acerca de Leah Sharibu ganharam destaque na imprensa nigeriana. 

Num vídeo divulgado, a trabalhadora humanitária Grace Taku pediu ajuda para ser libertada dos extremistas e afirmou que Leah teria morrido. Contudo, a Presidência da Nigéria negou tais declarações, afirmando: “As linhas de comunicação com os sequestradores permanecem abertas, com vista a garantir a libertação de Leah Sharibu. Ao contrário das notícias falsas divulgadas, ela encontra‑se viva — conforme garantido pelas nossas agências de segurança — e o Governo mantém o seu compromisso com o seu regresso em segurança, bem como o de todos os demais reféns.” 

Outro rumor afirmava que Leah teria sido forçada a converter‑se ao islão e a casar‑se com um comandante sénior do grupo extremista. Um boato adicional indicava que a jovem cristã seria mãe de um menino. A família Sharibu, porém, não deu crédito a tais informações e pediu apenas provas de que Leah estivesse viva. 

Familia De Leah Sharibu
O pai, a mãe e a avó de Leah Sharibu ficaram profundamente abalados pelo sequestro 

Os pais da Leah decidiram deixar de conceder entrevistas e nomearam o reverendo Gideon Para‑Mallam como seu porta‑voz. Numa das ocasiões em que o líder cristão falou à imprensa, afirmou que Leah continuava viva, pois teria sido vista por um dos prisioneiros libertados, informação que, à época, foi confirmada por autoridades diplomáticas. 

Em Janeiro de 2022, as autoridades nigerianas declararam que não haviam desistido de libertar a jovem cristã. O Chefe do Estado‑Maior da Defesa da Nigéria afirmou: “Na posição privilegiada que ocupo, tenho conhecimento dos planos e, naturalmente, dos processos em curso para assegurar que não apenas Leah Sharibu, mas todas as demais pessoas mantidas em cativeiro sejam libertadas.” 

Em Setembro de 2023, agências nigerianas noticiaram que Leah permanecia em cativeiro e que estaria casada com um extremista islâmico. Foi igualmente divulgado que forças locais de segurança afirmavam que Leah lideraria uma equipa médica na região do Lago Chade. Apesar da ampla divulgação destas informações por diversos órgãos de comunicação social, os pais de Leah declararam não acreditar nas notícias relativas ao alegado casamento. 

Leah foi a única cristã sequestrada pelo Boko Haram na Nigéria? 

Leah Sharibu não foi a única cristã capturada pelo Boko Haram. Na Nigéria, os sequestros de jovens e crianças cristãs ocorrem com grande frequência. De acordo com os dados da Lista Mundial da Perseguição (LMP), a Nigéria ocupa, nos últimos anos, o primeiro lugar no número de sequestros de seguidores de Jesus. Veja o número de cristãos sequestrados na Nigéria e noutros países que integram a lista dos 50 países mais perigosos para seguir a Jesus. 

A história de Leah não é um caso isolado. Outras jovens, como as raparigas de Chibok, tiveram as suas vidas profundamente marcadas pela violência dos jihadistas. Veja o testemunho dos pais destas jovens sequestradas, que continuam a esperar pelo regresso das suas filhas. O amor da Igreja livre por jovens como Leah Sharibu transformou a oração numa canção.

Porque são as meninas e mulheres cristãs alvos frequentes de sequestro na Nigéria? 

Quando jovens e mulheres cristãs sequestradas regressam às suas comunidades de origem, enfrentam o preconceito, inclusive no seio das próprias famílias. Em consequência dos abusos sofridos, muitas são consideradas “impuras” ou vistas como tendo perdido o seu valor social. Quando regressam com filhos, as crianças são estigmatizadas como filhos de extremistas. Por essa razão, o papel da Igreja local é essencial, para que o verdadeiro valor destas mulheres seja reconhecido, tanto dentro como fora do lar. 

A maioria dos sequestros de cristãos ocorre nos estados do Norte da Nigéria, como Borno, Adamawa, Kaduna, Katsina e Níger. Contudo, não é apenas o Boko Haram que utiliza esta prática como instrumento de perseguição aos seguidores de Jesus. Outros grupos armados recorrem igualmente a este tipo de violência. Em muitas destas regiões, grande parte dos sequestros termina com a morte das vítimas. 

Você pode erguer a sua voz pelo fim da violência extrema contra os cristãos na Nigéria. Saiba como assinar a petição Desperta África e quebrar o silêncio em torno da grave situação dos nossos irmãos na fé, na Nigéria e noutras regiões da África Subsaariana. 

Rodape Desperta Africa 2 4 1

A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

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