O que é o grupo extremista Boko Haram?
Publicado em 12 Jan 2026 • Atualizado em 19 Jan 2026

O Boko Haram é um movimento extremista que, nos últimos anos, tem conduzido uma campanha sistemática contra o Estado nigeriano, visando especificamente os cristãos, com ideologias, discursos e ações orientadas para a criação de um Estado islâmico. Os militantes do Boko Haram atuam na Nigéria — o país mais populoso de África e, infelizmente, o mais perigoso para os seguidores de Cristo — desde 2002, apesar das repetidas declarações das autoridades nigerianas afirmando vitória sobre o grupo.
O avanço deste movimento extremista reflete o crescimento da opressão islâmica, que se tornou a forma dominante de perseguição na Nigéria. A insegurança é constante e obriga muitas vítimas a fugir da violência. A situação é ainda mais preocupante porque o trauma não se limita às fronteiras da Nigéria, mas alastra para outras regiões da África Subsaariana.
O que é o Boko Haram?
O Boko Haram foi organizado com o objetivo de cumprir a jihad — a chamada “guerra santa” do islamismo — que implica impor a religião muçulmana a todo o custo. Este grupo tem causado destruição na Nigéria através de ondas de atentados, assassinatos e sequestros. Além disso, luta para derrubar o governo e instaurar um Estado islâmico.
A ideologia do Boko Haram promove uma versão radical do islamismo que proíbe os muçulmanos de participar em qualquer atividade política ou social associada ao Ocidente. Isto inclui votar em eleições, receber educação secular ou até restringir o vestuário.

Um dos efeitos mais devastadores da violência do Boko Haram é o deslocamento em massa de cristãos na Nigéria. O grupo considera o Estado nigeriano controlado por descrentes, independentemente de o presidente ser muçulmano ou não, e tem alargado a sua campanha militar a países vizinhos. O nome oficial do grupo é Jamaatu Ahlis Sunna Liddaawati wal-Jihad, que em árabe significa “Pessoas Comprometidas em Propagar os Ensinamentos do Profeta e a Jihad”. Contudo, os habitantes da cidade nigeriana de Maiduguri, onde o grupo tem a sua sede, apelidaram-no de Boko Haram, expressão que, traduzida livremente, significa: “a educação ocidental é proibida”.
Desde que partes do que hoje é o Nordeste da Nigéria, Níger e Sudeste dos Camarões estiveram sob domínio britânico, em 1903, houve resistência entre alguns muçulmanos da região quanto à educação ocidental. Muitos recusavam enviar os filhos para as “escolas ocidentais”, dirigidas pelo governo. Foi neste contexto que o clérigo muçulmano Mohammed Yusuf fundou o Boko Haram em Maiduguri, em 2002. Criou um complexo religioso que incluía uma mesquita e uma escola islâmica, servindo como campo de recrutamento para jihadistas — militantes da guerra islâmica.
Hoje, Chade, Níger e Camarões, países que constam na Lista Mundial da Perseguição 2025, enfrentam também as atrocidades do Boko Haram. Além disso, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla inglesa), aproximadamente dez milhões de pessoas — metade da população afetada pelo conflito na região — necessitam de ajuda humanitária enquanto a violência persiste. Cerca de 2,5 milhões de pessoas estão deslocadas apenas nesta área. Os níveis de fome e desnutrição continuam alarmantes.
Como são os ataques do Boko Haram?
Em 2009, o Boko Haram realizou uma série de ataques contra esquadras de polícia e outros edifícios governamentais em Maiduguri, capital do estado de Borno. Centenas de apoiantes do grupo foram mortos e milhares de habitantes fugiram da cidade. As forças de segurança da Nigéria acabaram por confiscar a sede do grupo, capturar combatentes e matar o então líder, Mohammed Yusuf. O corpo foi exibido na televisão estatal e as autoridades declararam o Boko Haram extinto.
Contudo, os seus militantes reorganizaram-se sob a liderança de Abubakar Shekau e intensificaram a revolta. Em 2013, os Estados Unidos designaram o Boko Haram como organização terrorista, receando que os militantes nigerianos tivessem estabelecido ligações com outros grupos, como a Al-Qaeda, para promover uma jihad global.

Segundo a BBC, a marca inicial do Boko Haram era o uso de atiradores em motocicletas, que assassinavam polícias, políticos e qualquer pessoa que os criticasse, incluindo clérigos de outras tradições muçulmanas e pregadores cristãos. Posteriormente, o grupo passou a realizar ataques mais ousados, incluindo atentados contra igrejas, autocarros, bares, quartéis militares e até esquadras de polícia. Perante o aumento da violência, o governo declarou estado de emergência em maio de 2013 nos três estados onde o Boko Haram tinha maior influência: Borno, Yobe e Adamawa.
Em abril de 2014, o Boko Haram sequestrou mais de 200 alunas na cidade de Chibok, no estado de Borno, afirmando que as trataria como escravas e que os militantes se casariam com elas, pois as mulheres capturadas em conflito são consideradas espólio — bens tomados do inimigo em tempo de guerra. O grupo também alterou a sua tática, permanecendo nos territórios conquistados em vez de se retirar após os ataques.
Ramificações e reorganização do Boko Haram
Em agosto do mesmo ano, o novo líder, Abubakar Shekau, declarou um califado nas áreas sob controlo do Boko Haram, tendo a cidade de Gwoza como sede do seu poder. Mais tarde, prometeu formalmente lealdade ao grupo Estado Islâmico, rompendo com a Al-Qaeda. O Estado Islâmico aceitou essa lealdade, designando o território sob domínio do Boko Haram como “Estado Islâmico da Província da África Ocidental” e organizando um novo grupo extremista, o ISWAP.
Contudo, em março de 2015, o Boko Haram perdeu todas as cidades que controlava após uma ofensiva de uma coligação regional — composta por tropas da Nigéria, Camarões, Chade e Níger. De acordo com a BBC, em agosto de 2016, o grupo aparentemente dividiu-se, após um vídeo do Estado Islâmico anunciar que Shekau fora substituído por Abu Musab al-Barnawi. Em meio a estes acontecimentos, 21 das meninas de Chibok, consideradas bens preciosos por Shekau, foram libertadas em outubro do mesmo ano, após negociações envolvendo militantes, os governos nigeriano e suíço, e o Comité Internacional da Cruz Vermelha. Apesar disso, a Amnistia Internacional afirma que cerca de duas mil crianças permanecem cativas e muitas outras aguardam libertação.

Enquanto muitos combatentes são mortos e armas são confiscadas, alguns analistas afirmam que ainda é prematuro descartar o Boko Haram. Este grupo tem resistido mais do que outros militantes no país e tem consolidado a sua presença em estados vizinhos, onde realiza ataques e recruta combatentes.
Segundo a agência de notícias Reuters, Abubakar Shekau faleceu em maio de 2021. O líder do Boko Haram acionou um dispositivo explosivo quando era perseguido por soldados do grupo Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). De acordo com os rivais, os líderes do Estado Islâmico pretendiam afastar Shekau da liderança e chegaram a convidá-lo para integrar o ISWAP, mas o jihadista considerou isso uma humilhação e tirou a própria vida.
Como a Portas Abertas apoia cristãos atacados pelo Boko Haram?
A Nigéria tem sido duramente atingida pelos ataques do Boko Haram, e é inegável o fator religioso destes conflitos, que já provocaram a morte e o deslocamento de milhares de cristãos. Muitos irmãos na fé perdem entes queridos e bens como casas e propriedades ao fugirem dos ataques. Acabam por refugiar-se em acampamentos improvisados, sem alimentação adequada, água potável ou saneamento básico.
Os parceiros locais da Portas Abertas oferecem socorro emergencial para que os deslocados internos tenham as suas necessidades básicas supridas. Além disso, estão a ser mobilizados projetos de cuidado pós-trauma, formações e outras iniciativas de ajuda emergencial na região e noutras partes da África Subsaariana afetadas pela violência extrema, através da campanha Desperta África.
Perguntas Frequentes
Quando surgiu o Boko Haram?
Os primeiros ataques do Boko Haram ocorreram em 2002. Ou seja, o grupo existe há mais de duas décadas.
Onde está o Boko Haram?
A maioria das bases do Boko Haram encontra-se na Nigéria, mas o grupo tem avançado para as fronteiras do país e realizado ataques no Chade, Níger e Camarões.
O que significa Boko Haram?
Traduzido de forma livre, Boko Haram significa: “a educação ocidental é proibida”. O nome foi um apelido dado por habitantes da cidade nigeriana de Maiduguri, onde o Boko Haram tem a sua sede.
O que faz o Boko Haram?
O Boko Haram conduz uma campanha sistemática contra o Estado nigeriano por meio de sequestros, assassinatos e incêndios de igrejas, visando impor a sharia islâmica. Os cristãos são um dos principais alvos dos seus ataques. Entre os maiores crimes do grupo estão o sequestro das meninas de Chibok e o sequestro das meninsa de Dapchi, incluindo Leah Sharibu.
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