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Entenda a Lista
Mundial da Perseguição

Mais de 388 milhões de cristãos são perseguidos em todo o mundo. Confira como a perseguição acontece.

Como a Portas Abertas define a lista dos 50 países onde os cristãos são mais perseguidos?

O departamento de pesquisa da Portas Abertas elabora a Lista Mundial da Perseguição (LMP) a partir de uma metodologia própria. Essa metodologia foi atualizada ao longo dos anos para aumentar credibilidade, objetividade, transparência e qualidade académica da pesquisa. Além disso, a pesquisa que resulta na LMP é auditada pelo Instituto Internacional pela Liberdade Religiosa (International Institute for Religious Freedom - IIRF).

Desde 1993, a Portas Abertas publica a LMP anualmente. O objetivo da pesquisa é monitorizar e medir o nível de perseguição que os cristãos enfrentam no mundo a cada ano.

Quem são os cristãos perseguidos?

Cristão perseguido é toda pessoa que se identifica como cristã e enfrenta pressão e/ou violência por seguir Jesus. Normalmente pertence a uma comunidade cristã, mas há aqueles que não estão ligados a nenhuma denominação específica, como muitos cristãos secretos.

Perseguição é entendida como qualquer hostilidade experimentada por consequência da identificação da pessoa com Cristo. Inclui atos como restrição, discriminação, oposição, injustiça, intimidação, maus-tratos, agressão física e sexual e até morte.

Como os cristãos são perseguidos?

Os cristãos são perseguidos basicamente de duas formas: pressão e violência.

Pressão inclui exclusão, insultos, maus-tratos, perda de emprego, expulsão de casa e da família, etc.

A violência inclui agressão física e sexual, destruição de igrejas, casas e negócios de cristãos, ataques, prisão, sequestro, tortura, prisão domiciliária, entre outros.

Que tipos de perseguição os cristãos enfrentam?

Os cristãos enfrentam nove tipos de perseguição. Esse termo é consequência de uma dinâmica de poder, que gera situações de hostilidade contra os cristãos. Veja os tipos de perseguição.  
Opressão islâmica
quando países, comunidades e famílias estão forçadamente sob controle islâmico. Isso pode ser feito gradualmente por um processo de islamização sistemática (aumentando a pressão) ou repentinamente pelo uso da força militante (violência) ou por ambos. Ex.: ação de grupos extremistas islâmicos, como Estado Islâmico e Boko Haram.
Nacionalismo religioso (hinduísmo)
quando países, comunidades ou famílias são pressionados a submeter-se ao controlo de uma religião específica (diferente do islão). Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência). Ex.: nacionalismo hindu na Índia.
Nacionalismo religioso (budismo)
situação semelhante, mas envolvendo o budismo como religião dominante.  Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência).
Nacionalismo religioso (judaísmo)
quando países, comunidades ou famílias são pressionados a submeter-se ao controlo do judaísmo. Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência).
Opressão do clã
quando um clã ou família tradicional impõe normas, valores ou sistemas de crenças. Normalmente combina aumento gradual da pressão com episódios de violência. Ex.: cristãos expulsos de comunidades indígenas no México.
Hostilidade étnico-religiosa
quando um grupo étnico ataca outro por causa da religião diferente. Em casos extremos, o grupo agressor tenta eliminar a presença do outro. Ex.: cristãos nigerianos atacados e expulsos por extremistas fulanis.
Protecionismo denominacional
quando cristãos são perseguidos por uma denominação que se considera a legítima ou dominante do cristianismo no país. Normalmente mistura pressão subtil com violência rara. Ex.: cristãos protestantes perseguidos pela Igreja Ortodoxa na Eritreia.
Opressão comunista e pós-comunista
quando o Estado, mesmo após a queda do comunismo, persegue e controla a igreja. A violência física é menos visível, mas o controlo é completo. Ex.: Ásia Central.
Intolerância secular
quando a sociedade é moldada segundo valores e normas do secularismo, que podem ir contra os princípios cristãos (sexualidade, casamento, símbolos religiosos, registo de igrejas, etc.). Ex.: cristãos na Colômbia que discordam do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Paranoia ditatorial
governos autoritários que fazem de tudo para manter o poder, impedindo críticas e oposição. Usam pressão e violência, mas a ameaça é suficiente para forçar a igreja à clandestinidade. Ex.: cristãos no Uzbequistão proibidos de fazer atividades religiosas fora das igrejas aprovadas.
Corrupção e crime organizado
acontece quando os cristãos vivem em zonas dominadas por grupos ou indivíduos que agem com total impunidade, anarquia e corrupção, só para se enriquecerem. Há dois grandes “ramos”: a corrupção dentro das próprias estruturas do Estado e a corrupção vinda da sociedade através do crime organizado. Nestes contextos, os cristãos vivem debaixo de pressão, com medo de sofrer violência caso não sigam as ordens desses grupos. Ex.: cristãos na Colômbia em regiões controladas pelas guerrilhas.
Corrupção e crime organizado
acontece quando os cristãos vivem em zonas dominadas por grupos ou indivíduos que agem com total impunidade, anarquia e corrupção, só para se enriquecerem. Há dois grandes “ramos”: a corrupção dentro das próprias estruturas do Estado e a corrupção vinda da sociedade através do crime organizado. Nestes contextos, os cristãos vivem debaixo de pressão, com medo de sofrer violência caso não sigam as ordens desses grupos. Ex.: cristãos na Colômbia em regiões controladas pelas guerrilhas.
Opressão islâmica
quando países, comunidades e famílias estão forçadamente sob controle islâmico. Isso pode ser feito gradualmente por um processo de islamização sistemática (aumentando a pressão) ou repentinamente pelo uso da força militante (violência) ou por ambos. Ex.: ação de grupos extremistas islâmicos, como Estado Islâmico e Boko Haram.
Nacionalismo religioso (hinduísmo)
quando países, comunidades ou famílias são pressionados a submeter-se ao controlo de uma religião específica (diferente do islão). Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência). Ex.: nacionalismo hindu na Índia.
Nacionalismo religioso (budismo)
situação semelhante, mas envolvendo o budismo como religião dominante.  Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência).
Nacionalismo religioso (judaísmo)
quando países, comunidades ou famílias são pressionados a submeter-se ao controlo do judaísmo. Pode ser gradual e sistemático (aumento da pressão) ou abrupto (violência).
Opressão do clã
quando um clã ou família tradicional impõe normas, valores ou sistemas de crenças. Normalmente combina aumento gradual da pressão com episódios de violência. Ex.: cristãos expulsos de comunidades indígenas no México.
Hostilidade etno-religiosa
quando um grupo étnico ataca outro por causa da religião diferente. Em casos extremos, o grupo agressor tenta eliminar a presença do outro. Ex.: cristãos nigerianos atacados e expulsos por extremistas fulanis.
Protecionismo denominacional
quando cristãos são perseguidos por uma denominação que se considera a legítima ou dominante do cristianismo no país. Normalmente mistura pressão subtil com violência rara. Ex.: cristãos protestantes perseguidos pela Igreja Ortodoxa na Eritreia.
Opressão comunista e pós-comunista
quando o Estado, mesmo após a queda do comunismo, persegue e controla a igreja. A violência física é menos visível, mas o controlo é completo. Ex.: Ásia Central.
Intolerância secular
quando a sociedade é moldada segundo valores e normas do secularismo, que podem ir contra os princípios cristãos (sexualidade, casamento, símbolos religiosos, registo de igrejas, etc.). Ex.: cristãos na Colômbia que discordam do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Paranoia ditatorial
governos autoritários que fazem de tudo para manter o poder, impedindo críticas e oposição. Usam pressão e violência, mas a ameaça é suficiente para forçar a igreja à clandestinidade. Ex.: cristãos no Uzbequistão proibidos de fazer atividades religiosas fora das igrejas aprovadas.

Como é a perseguição por meio da violência?

Cada país apresenta um índice de violência que é obtido de acordo com o número total de incidentes ocorridos contra os seguidores de Jesus. Isso inclui a quantidade de cristãos mortos, presos e atacados, além de igrejas, casas e lojas de cristãos atacadas, entre outros.

1. Cristãos mortos

Em muitos países, o simples facto de ser cristão já é motivo suficiente para que os nossos irmãos e irmãs percam a vida. No período de pesquisa da LMP 2026*, 4.849 cristãos foram mortos por amarem e seguirem a Cristo.

2. Igrejas e outras propriedades públicas cristãs atacadas

Entre as propriedades classificadas estão templos e prédios administrados por igrejas, como escolas, seminários e hospitais. Nessa categoria, enquadram-se propriedades atacadas, danificadas, bombardeadas, saqueadas, destruídas, incendiadas, fechadas ou confiscadas por motivos relacionados à fé. Nigéria e China seguem no topo dessa lista, com cerca de mil igrejas atacadas em cada um dos países.

3. Cristãos presos, condenados ou detidos sem julgamento

Na LMP 2026, houve 4.712 casos registados de cristãos presos, condenados ou detidos sem julgamento por causa da fé. A Índia é o país onde essa prática é mais comum, com 2.192 casos, seguido pela Eritreia, com 400 casos, e pelo Irão, com 345 cristãos presos, condenados ou detidos sem julgamento no período.

4. Cristãos abusados física ou psicologicamente 

Nem sempre a violência contra os cristãos termina em morte. Agressões, ameaças de morte e abusos psicológicos também fazem parte da vida da Igreja Perseguida. A LMP 2026 registou 67.843 casos de abuso contra cristãos. Esse número inclui apenas agressões e ameaças de morte diretas, não levando em consideração as comunidades que vivem em clima de constante insegurança por conta de ataques. Liderando esse ranking estão Nigéria, Paquistão, Índia, Mianmar e Níger, com 10 mil vítimas cada.

5. Ataques a casas e negócios de cristãos

Casas, propriedades e negócios de cristãos são destruídos simplesmente por os seus donos serem seguidores de Jesus. Esta é uma forma de atingir a vida e o sustento dos cristãos, pressionando-os a converter-se à religião principal do país ou a abandonar a comunidade. De acordo com a LMP 2026, 25.794 propriedades de cristãos foram alvo de ataques, incluindo casas e estabelecimentos comerciais. Os países onde este tipo de violência mais ocorreu foram a Nigéria, com 11 mil registos, o Sudão e a República Democrática do Congo, com 2 mil ataques cada um.

6. Cristãos forçados a fugir de casa ou do país

Durante o período de pesquisa da LMP 2026, foram listados 224.129 cristãos deslocados internamente ou refugiados em outros países. Desses, 100 mil são cristãos que vivem deslocados na Nigéria, em péssimas condições de vida. Mianmar aparece com 26.500 cristãos deslocados ou refugiados, enquanto Burkina Faso, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Camarões e Moçambique, cada um, têm mais de 10 mil casos registados.

Quais as principais tendências observadas na LMP 2026?

As principais mudanças na LMP 2026 foram causadas pelo aumento na violência contra os cristãos e por mudanças políticas que impactaram diretamente a vida da igreja. Seja com governos autoritários que aumentaram as restrições religiosas ou governos enfraquecidos a ponto de não conseguirem lidar com grupos extremistas em busca de poder.

Os dados a seguir foram recolhidos entre 1 de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. 

1. Surto de violência faz igreja continuar a diminuir na Síria

Este ano, a Síria atingiu a sua maior pontuação de perseguição aos cristãos; grande parte disso deve-se à recente onda de violência. O aumento nos ataques começou com a mudança no governo, no final de 2024, quando o grupo jihadista Hay’at Tahrir al-Sham assumiu o poder.

A violência de extremistas não é a única preocupação dos cristãos na Síria. A Constituição interina de março de 2025 centraliza o poder no presidente e estabelece a sharia (conjunto de leis islâmicas) como principal parâmetro para a legislação, o que pressiona ainda mais a igreja em todos os aspetos da vida.

2. Governos enfraquecidos deixam cristãos vulneráveis na África Subsaariana

Há 14 países da África Subsaariana na LMP 2026, somando uma população total de 721 milhões de pessoas, das quais quase metade é cristã. Por essa estatística, um em cada oito cristãos no mundo vive num desses países. Para se ter uma noção do quão preocupante é a situação dos cristãos perseguidos na África Subsaariana, os três países que atingiram pontuação máxima de violência na LMP 2026 estão na região: Sudão, Nigéria e Mali.

3. Nigéria segue como o epicentro global da violência contra os cristãos

A perseguição na Nigéria tem alguns aspetos únicos. Dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo por causa da fé durante o período de pesquisa da LMP 2026, 3.490 eram nigerianos. Ainda assim, o país é lar da maior comunidade cristã de toda a África.

Uma combinação de hostilidade étnico-religiosa, crime organizado, governo enfraquecido e ação de grupos militantes armados, como Boko Haram, tem colocado a igreja numa situação extremamente vulnerável a todo o tipo de violência física e psicológica, incluindo violência sexual, trabalho forçado, sequestros, destruição de propriedade e assassinatos. 

4. Aumento no número de igrejas secretas

Em alguns países da LMP 2026, a vigilância do governo e a regulamentação cada vez mais restrita fez com que muitos cristãos passassem a reunir-se secretamente para cultuar.

Na Argélia, por exemplo, todas as igrejas protestantes foram oficialmente fechadas, o que aumentou o número de igrejas secretas. Aqueles que participam dos cultos secretos correm risco de serem presos caso sejam descobertos. As ações do governo argelino também afetaram os cristãos que se reúnem online. Uma comunidade virtual com mais de 50 mil membros foi desativada.

5. Algumas boas notícias para a Igreja Perseguida

Em Bangladesh, o índice de violência contra os cristãos diminuiu cerca de 20% na LMP 2026. Após ataques que afetaram a minoria cristã, o líder do governo interino, Muhammad Yunus, defendeu a liberdade religiosa no país, mas o resultado desse discurso será sentido apenas após as eleições.

No México e na Colômbia, há crescente reconhecimento e visibilidade sobre os riscos enfrentados por líderes cristãos em áreas afetadas pelo crime organizado e por grupos armados. Em outros países latino-americanos, como Nicarágua e Cuba, a igreja também está a demonstrar grande resiliência e capacidade de adaptação às violações de liberdade religiosa.

Mais de oito anos após o desaparecimento do pastor Raymond Koh na Malásia, a família Koh venceu o processo contra o Estado e a polícia por negligência na investigação. A justiça reconheceu a participação de policiais no sequestro, abusando do seu poder e agindo “opressivamente e arbitrariamente”. O governo da Malásia foi condenado a pagar uma indemnização para Susanna Koh, esposa de Raymond, e as investigações sobre o desaparecimento foram reabertas.

Quais são os países onde há perseguição extrema aos cristãos?

A perseguição extrema afeta 13 países, tal como na LMP 2024. No entanto, Myanmar (13.º) passou a enfrentar perseguição extrema, enquanto a Síria (18.º) passou a ter perseguição severa. Para compreender como é feita a pontuação, aceda a Entenda a Lista. Os restantes países com perseguição extrema mantêm-se os mesmos, apenas alterando a sua posição na classificação: Coreia do Norte (1.º), Somália (2.º), Iémen (3.º), Líbia (4.º), Sudão (5.º), Eritreia (6.º), Nigéria (7.º), Paquistão (8.º), Irão (9.º), Afeganistão (10.º), Índia (11.º) e Arábia Saudita (12.º).

Qual o trabalho da Portas Abertas a partir da LMP 2026?

A partir dos dados da Lista Mundial da Perseguição, a Portas Abertas identifica as necessidades dos cristãos perseguidos e desenvolve um trabalho para o fortalecimento dos seguidores de Jesus mais necessitados.

Os projetos de apoio aos cristãos perseguidos envolvem distribuição de Bíblias e literatura cristã, formação bíblica, ajuda socioeconómica e ações institucionais (assistência jurídica, presença e pesquisa).

Para ajudar os mais necessitados dos 388 milhões de cristãos no mundo, a Portas Abertas conta com a generosidade de outros seguidores de Jesus ao redor do mundo. Doe e socorra cristãos perseguidos nas suas necessidades físicas, emocionais e espirituais.

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