Cristã foge com recém-nascido e marido baleado no Afeganistão
Publicado em 15 Mar 2026

Zakie (pseudónimo) é uma cristã corajosa cuja história reflete a realidade de inúmeras mulheres afegãs que escolhem seguir Jesus num dos lugares mais perigosos do mundo para se ser mulher e cristã.
Ela nasceu numa família muçulmana devota no Afeganistão. Cada aspeto da sua vida era controlado por regras rígidas. Quando estava a terminar o Ensino Secundário, Zakie foi dada em casamento; o marido também era muçulmano, por isso a sua vida de obediência silenciosa continuou. Apenas trocou a autoridade do pai pela do marido.
Como tantas outras mulheres no Afeganistão, a vida de Zakie não lhe pertencia. Nunca imaginou que a verdadeira liberdade pudesse existir — até a ver dentro das paredes da sua própria casa.
Transformada pelo amor
A transformação não começou com um sermão ou um folheto, mas sim com o seu marido. Tal como Zakie, ele tinha sido criado numa família muçulmana devota. Não era diferente dos outros homens da sua comunidade: reagia com agressividade, era duro e indiferente às mulheres.
Com o tempo, Zakie percebeu mudanças graduais no seu caráter. A raiva desapareceu, ele começou a demonstrar afeto e até a perdoar. Tudo porque tinha encontrado Jesus. Quando finalmente revelou a Zakie que se tinha tornado cristão, segui-lo na fé não foi uma decisão difícil.
A conversão trouxe uma experiência completamente nova para Zakie. Ela já tinha ouvido falar de cristãos — sobretudo que eram infiéis — mas nunca imaginou tornar-se uma. À medida que a fé de ambos criava raízes, Deus começou a transformar todas as áreas das suas vidas. Foram sendo moldados dia após dia.
Zakie antes vivia uma vida controlada pelas regras rígidas da interpretação do islão no Afeganistão, mas depois de aceitar Cristo como Salvador, começou a experimentar verdadeira liberdade. Ela conta:
“A paz entrou na minha vida. No passado, eu sentia muita angústia. Estava sempre a pensar em como não tinha adorado a Deus, não tinha jejuado, não tinha feito sacrifícios. Achava que não poderia ir para o céu. Hoje, quando oro, adoro e glorifico o nome do Senhor Jesus Cristo, fico feliz porque sei que estou salva. Tenho um lugar no Reino de Deus.”
Mas essa certeza seria rapidamente colocada à prova.
Marcados como infiéis
Em comunidades fechadas como a de Zakie, segredos são difíceis de guardar. Depressa a fé recém-descoberta do casal se tornou demasiado evidente para esconder. A rejeição foi rápida e intensa, pois abandonar o islão é visto como traição à família e à cultura. A hostilidade era profunda. Até as crianças da aldeia olhavam para Zakie com desprezo.
Ela sentia a dor, mas sempre encontrava força para perdoar e amar aqueles que a maltratavam. A família conseguiu suportar a rejeição social, mas a hostilidade tornou-se violenta. Vizinhos denunciaram-nos ao Talibã. Os extremistas sabiam quem eram — não havia escapatória.
“Levaram o meu marido duas vezes, torturaram-no, e chegámos a pensar que o tinham matado. Queriam eliminar-nos. Não podíamos sequer passar uma noite na nossa própria casa. Estávamos sempre a mudar de lugar, com medo de que nos matassem e levassem as nossas filhas”, conta Zakie.
O perigo atingiu o auge apenas três meses antes de o Talibã tomar o Afeganistão em 2021. “O meu marido, as minhas filhas e eu tínhamos ido à casa de um parente. Quando saímos, uma moto parou e um homem disparou contra o meu marido.”
Ele sobreviveu, mas a mensagem era clara: saiam ou morram.
“Levámos o meu marido ao hospital, mas estávamos muito assustados e nessa mesma noite fugimos do Afeganistão”, diz Zakie. A decisão foi agonizante: ela tinha acabado de dar à luz e precisava de cuidar de um recém-nascido enquanto ajudava o marido ferido.
A esperança em Cristo
Hoje, Zakie e a família vivem em segurança num país da Ásia Central. Olhando para trás, ela vê a bondade de Deus mesmo nos momentos mais desesperadores. Embora esteja longe de casa, o coração de Zakie permanece com as mulheres da sua terra natal. Agora, trabalha com mulheres refugiadas que sofreram os mesmos traumas.
A vida como refugiada não é fácil. Como cristã, Zakie continua em risco, mas mesmo em meio à perseguição, mantém a esperança porque sabe quem é Jesus.
Os parceiros da Portas Abertas na Ásia Central estão a apoiar Zakie para que continue o seu ministério entre mulheres afegãs refugiadas. Existem outras cristãs como ela, com o mesmo chamamento e paixão por servir e oferecer esperança.
Você pode ajudar o ministério de Zakie
O apoio da Portas Abertas — através de ajuda emergencial como alimentos, medicamentos e roupas — permite que cristãs como Zakie cumpram o seu chamamento e sejam fortalecidas nas suas necessidades. Contribua e faça parte da história destas famílias.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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