Publicado em 02 Abr 2026 • Atualizado em 11 Abr 2026
Sobrevivente do ataque de Páscoa no Sri Lanka visita igreja atacada
Perceba porque celebrar a morte e a ressurreição de Cristo pode ser perigoso para cristãos perseguidos.Sobrevivente do ataque de Páscoa no Sri Lanka visita igreja atacada
A Páscoa é uma das celebrações mais significativas do calendário cristão. Recorda a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, o centro da fé cristã. Contudo, para milhões de cristãos que vivem sob perseguição religiosa, este período torna‑se também um momento de alto risco, marcado por ataques, ameaças e crescente violência.
Durante a Semana Santa, especialmente no Domingo de Ramos, na Sexta‑Feira Santa e no Domingo de Páscoa, extremistas costumam aproveitar a grande concentração de fiéis reunidos nas igrejas para realizar ataques. Em vários países, igrejas adoptam medidas de segurança ou chegam mesmo a cancelar cultos para preservar vidas.
O que é a Páscoa?
Cristã sobrevivente do ataque de Páscoa no Sri Lanka olha para cima com esperança.
A Páscoa nasce como um memorial instituído por Deus quando o povo de Israel foi libertado da escravidão no Egipto (Êxodo 12). Na Nova Aliança, a celebração ganha pleno significado em Jesus Cristo:
Ele celebra a Páscoa com os discípulos (Mateus 26; Lucas 22).
É identificado como o Cordeiro Pascal (1 Coríntios 5:7).
Assim, para os cristãos, a Páscoa representa libertação, redenção e nova vida.
A celebração não se resume a um único dia, mas a um período composto por três momentos centrais da fé:
Domingo de Ramos: marca a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e dá início à Semana Santa; as igrejas recebem mais fiéis para celebrações e vigílias.
Sexta‑Feira Santa: relembra a crucificação de Cristo, um dia de profunda reflexão, com cultos especiais.
Domingo de Páscoa: celebra a ressurreição de Jesus, o ponto alto da fé cristã, reunindo o maior número de pessoas nas igrejas.
Ataques na Páscoa em massa mais recente (Jos, Nigéria, 2026)
Igreja cercada de palmeiras em região marcada por perseguição aos cristãos (foto representativa)
No dia 29 de março de 2026, durante o Domingo de Ramos, homens armados invadiram a comunidade cristã de Angwan Rukuba, na região de Jos, estado de Plateau, Nigéria.
Atiraram indiscriminadamente contra moradores reunidos numa área conhecida da comunidade. O ataque resultou em pelo menos 27 mortos confirmados. Após o atentado, o governo decretou um toque de recolher de 48 horas.
Qual foi o ataque de Páscoa mais letal já registado? (Sri Lanka, 2019)
Família de Debbie e Rebekah, sobreviventes do ataque de 2019 no Sri Lanka
Em 21 de abril de 2019, o Sri Lanka sofreu o pior ataque de Páscoa já registado: 259 mortos e 500 feridos. O atentado foi cometido por sete homens‑bomba em três igrejas e três hotéis.
Outros ataques na Páscoa significativos
Entre 2013 e 2019, vários países registaram episódios de violência contra cristãos durante o período pascal:
Um oficial muçulmano avançou com um veículo contra uma passeata cristã, matando 13 pessoas (Nigéria, 2019).
Agressões a pastores e invasões de igrejas (Índia, 2018).
Extremistas armados atacaram uma congregação durante o culto (Paquistão, 2018).
Um cristão foi baleado após o culto de Páscoa; veículos da igreja foram incendiados (Nepal, 2017).
Mais de 40 mísseis atingiram uma área residencial cristã na Síria, matando mais de 20 pessoas — muitas delas crianças (Síria, 2015).
Uma sequência de ataques atingiu igrejas e tirou dezenas de vidas durante o período pascal (Paquistão, 2013–2015).
Estes episódios mostram que, em muitos lugares, celebrar a Páscoa continua a ser um ato de fé que pode custar a própria vida.
O legado de fé dos mártires da Igreja Perseguida
Verl, à direita, e seu irmão Nithan, à esquerda, perderam entes queridos no ataque no Sri Lanka em 2019
Cristãos que vivenciam ataques violentos ficam marcados para sempre. Mas, surpreendentemente, essa experiência pode transformar positivamente a forma como vivem.
Verl, que perdeu um terço da família no ataque de 2019 no Sri Lanka, continua a testemunhar a bondade de Deus:
“Perder alguém dói. Mas eles não foram mortos; foram semeados, afinal, o sangue dos mártires é a semente da igreja. […] O meu filho foi meu durante 13 anos, mas pertence ao Senhor para sempre.”
Pradesh com o retrato da esposas que faleceu no ataque no Sri Lanka em 2019
Girija, uma cristã dedicada, sofreu ferimentos graves e faleceu uma semana após o ataque. Ela lia a Bíblia todos os dias para a família, e o seu testemunho transformou a fé do marido, Prashant, que agora frequenta a igreja com os filhos.
Como a Portas Abertas apoia sobreviventes de ataques na Páscoa?
Prashant com seu filho e o tuk tuk que conseguiu para trabalhar com a ajuda da Portas Abertas
A Portas Abertas, com colaboradores e parceiros locais, oferece ajuda prática e espiritual:
visitas e acompanhamento pastoral;
oração;
cartões de encorajamento;
apoio financeiro e sustento emergencial.
A família de Prashant recebeu ajuda para adquirir um tuk‑tuk, essencial para o seu sustento.
Outras famílias receberam caixas de cuidado, contendo:
materiais de arte;
geleias e biscoitos;
diversos objetos;
cartões de encorajamento;
o livro Permanecendo Firme Através da Tempestade na língua local.
Um com eles: um espírito, uma fé
Filha de sobrevivente no Sri Lanka
Ao conhecermos o que os nossos irmãos enfrentam em todo o mundo, somos chamados a viver o que Paulo ensina em Efésios 4: somos um corpo, unidos pela fé. Os testemunhos desafiam‑nos a confiar plenamente em Deus e a consolar os que sofrem.
Como ajudar?
Interceda
Ore por força e proteção para cristãos que celebram a Páscoa sob risco.
Louve a Deus pelos que foram alcançados pela mensagem da cruz em locais de perseguição.
Peça que o testemunho da ressurreição renove a fé deles.
Clame por transformação na vida dos perseguidores.
Contribua
Doe para os projectos de ajuda emergencial da Portas Abertas ao longo do mês da Páscoa e apoie cristãos que seguem Jesus custe o que custar.
Perguntas frequentes
Por que razão os cristãos são mais atacados durante a Páscoa? Porque é o período em que mais fiéis se reúnem — Domingo de Ramos, Sexta‑Feira Santa e Domingo de Páscoa — tornando as igrejas alvos mais visíveis em países onde há perseguição religiosa.
Quais países registam mais ataques de Páscoa? Sri Lanka, Nigéria, Egipto, Paquistão, Indonésia e Quénia registaram ataques significativos nos últimos anos.
Como posso apoiar cristãos perseguidos durante a Páscoa? Orando, partilhando as suas histórias e contribuindo para projectos de ajuda emergencial da Portas Abertas, que oferecem suporte espiritual, emocional e prático.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.