#VoicesForJustice: justiça para Leah Sharibu e para as meninas raptadas na Nigéria
Publicado em 24 Jun 2026 • Atualizado em 02 Jul 2026

A história de Leah Sharibu, uma jovem cristã nigeriana raptada em 2018, continua a mobilizar a Igreja Perseguida e organizações que defendem a liberdade religiosa.
O seu caso representa a realidade de milhares de mulheres e raparigas vítimas de violência na Nigéria, incluindo raptos, abusos e coerção religiosa.
Neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, descubra como a Portas Abertas, juntamente com líderes e parceiros internacionais, está a unir a sua voz num apelo por justiça e proteção.
Saiba como os cristãos são perseguidos na Nigéria, o 7.º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
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Porque continua o caso de Leah Sharibu a mobilizar o mundo?
O caso de Leah Sharibu mantém-se atual porque, para os cristãos nigerianos, ela tornou-se um poderoso símbolo de coragem ao recusar renunciar à sua fé para obter a liberdade.
Leah foi raptada ainda adolescente numa escola em Dapchi, no estado de Yobe, por uma fação do Boko Haram conhecida como Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). Enquanto a maioria das estudantes foi libertada, Leah permaneceu em cativeiro por não negar Jesus Cristo.
“Leah foi raptada juntamente com outras 109 meninas. A maioria acabou por ser libertada, mas a nossa filha permaneceu em cativeiro porque se recusou a renunciar à fé cristã e a converter-se ao islamismo.”
— Nathan e Rebeca, pais de Leah Sharibu
Para a Igreja Perseguida, Leah representa não apenas uma vítima individual, mas também a realidade de muitas outras mulheres e raparigas nigerianas que vivem sob ameaça constante. No país mais violento para os cristãos da Lista Mundial da Perseguição 2026, grupos extremistas utilizam raptos, casamentos forçados, ataques e abusos como instrumentos de controlo e opressão.
“Para os cristãos, a história de Leah mostra-nos que precisamos de perseverar, porque não sabemos até onde esta violência poderá chegar. Os ataques acontecem quase todos os dias.”
— Asabe
O que está a acontecer às mulheres cristãs na Nigéria?
A violência contra as mulheres cristãs na Nigéria faz parte de um contexto mais amplo de instabilidade e perseguição. Asabe*, conselheira especializada no acompanhamento de vítimas de trauma no estado de Plateau, conhece esta realidade de perto.
Segundo parceiros da Portas Abertas, nas regiões Norte e Centro do país, mulheres e raparigas cristãs enfrentam raptos, abusos e traumas recorrentes, frequentemente perpetrados por grupos extremistas. Muitas sobreviventes também enfrentam rejeição social quando regressam às suas comunidades.
Esta realidade é confirmada pelos relatos de parceiros locais que trabalham no apoio a vítimas traumatizadas. Os ataques são frequentes e deixam marcas profundas não apenas nas vítimas diretas, mas também em toda a comunidade.
Voices for Justice: mobilização por justiça para as “Leahs da Nigéria”
Os pais de Leah Sharibu — Nathan e Rebeca — uniram-se a várias organizações internacionais para pedir justiça para as “Leahs da Nigéria” no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, assinalado a 19 de junho.
“Unimos forças com a iniciativa Voices for Justice para chamar a atenção para o uso da violência sexual como arma em contextos de conflito.”
— Nathan e Rebeca, pais de Leah Sharibu
O Voices for Justice (V4J) é uma plataforma colaborativa de advocacia lançada em 2025 pela Religious Liberty Partnership, da qual a Portas Abertas Internacional faz parte. O seu objetivo é mobilizar organizações para falarem a uma só voz em defesa da justiça, da dignidade e da liberdade das comunidades vulneráveis que enfrentam violações da liberdade religiosa ou de crença.
Esta mobilização internacional ganha força através de iniciativas que destacam a urgência de proteger mulheres vulneráveis e responsabilizar os autores destes crimes.
Histórias de apoio, acolhimento e fortalecimento espiritual
Os testemunhos das sobreviventes revelam que o impacto da violência vai muito além do momento do ataque.
Muitas mulheres enfrentam traumas profundos, estigmatização e sérias dificuldades de reintegração social. Em alguns casos, mesmo após regressarem a casa, continuam a sofrer devido à rejeição da própria comunidade.
“Uma mulher foi obrigada a assistir ao assassinato do marido e do filho pequeno. Forçaram-na a ver enquanto matavam o seu filho. Ela tentou desviar o olhar, mas foi obrigada a assistir.”
— Asabe
Por outro lado, também existem histórias de apoio e fidelidade familiar, demonstrando que o cuidado e a restauração são possíveis.
“Três meses após o seu casamento, outra mulher regressava das compras quando foi raptada. No esconderijo do grupo, foi abusada sexualmente repetidamente por quatro homens durante um mês. O marido permaneceu ao lado dela. Telefonava todos os dias aos raptores para falar com ela e orar com ela.”
— Asabe
Contudo, quando regressou à sua aldeia, enfrentou uma nova provação.
“Quando voltou à comunidade, a cristã que tinha sido abusada foi rejeitada e estigmatizada. Isso deixou-a ainda mais traumatizada. Se as comunidades rejeitam sobreviventes de raptos, é melhor que elas se mudem para um local seguro, onde não sejam condenadas.”
— Asabe
Estes testemunhos reforçam a necessidade de apoio contínuo, incluindo acompanhamento, acolhimento e fortalecimento espiritual.
Como pode responder a esta realidade?
Apoie a campanha e a petição Desperta África
A campanha Desperta África é uma iniciativa da Portas Abertas que convida cristãos em todo o mundo a posicionarem-se em favor das vítimas de violência e perseguição no continente africano.
O envolvimento público é essencial para dar visibilidade às violações dos direitos humanos e incentivar ações concretas que promovam justiça e proteção.
- Assine a petição.
- Contribua com um donativo para os projetos de cuidados pós-trauma e apoio a viúvas africanas.
Ore pelas cristãs vítimas de violência
- Ore pela libertação de Leah Sharibu e de todas as meninas que permanecem em cativeiro por causa da sua fé em Jesus na Nigéria.
- Interceda pelas sobreviventes de raptos, para que encontrem cura emocional, aceitação e restauração.
- Peça proteção para as mulheres e raparigas cristãs que vivem em regiões afetadas pela violência.
- Ore também pelos perseguidores, para que sejam alcançados e transformados pelo amor de Cristo (Mateus 5:44).
Partilhe a hashtag #VoicesForJustice
Divulgue esta notícia nas suas redes sociais utilizando a hashtag #VoicesForJustice e ajude outras pessoas a conhecer esta realidade e a mobilizarem-se em favor da justiça e da esperança para as mulheres e raparigas da Nigéria.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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