Pastor é preso por orar em local público em Cuba
Publicado em 26 Mar 2026 • Atualizado em 24 Mar 2026

Na última semana, dois pastores foram detidos pelas autoridades cubanas devido à participação em protestos pacíficos e a expressões públicas de fé. O filho de um desses líderes cristãos, o jovem Jonathan Muir Burgos, de apenas 16 anos, continua sob custódia e pode enfrentar acusações. Já o pastor Ronaldo Pérez Lora foi preso enquanto orava num parque público.
Entenda como os cristãos são perseguidos em Cuba, o 26.º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
Detenção de pastor e filho após convocação oficial
No dia 16 de março, o pastor Elier Muir Ávila e o seu filho Jonathan foram detidos após se apresentarem voluntariamente numa esquadra em Morón, respondendo a uma intimação oficial. A notificação estaria relacionada com a suposta participação deles em protestos que aconteceram dias antes em Cuba.

O pastor Elier foi libertado no mesmo dia, mas Jonathan permanece detido. Segundo o pastor, as autoridades disseram que levariam três dias para decidir quais medidas legais seriam aplicadas ao jovem. A situação tem causado profunda preocupação à família e à comunidade cristã local.
A família Muir já era alvo de perseguição anteriormente, incluindo vigilância constante, intimidação e severas restrições às atividades religiosas, como a proibição de realizar cultos em casa ou de construir um templo.
Pastor é preso por orar em parque público
Dias antes, em 13 de março, o pastor Ronaldo Pérez Lora foi detido em Matanzas depois de transmitir mensagens bíblicas ao vivo no YouTube, incentivando os cristãos a orar pacificamente pelo país em meio à crise crescente.
Ele foi preso enquanto orava num parque público, acompanhado por membros da sua igreja e da sua família. A detenção ocorreu sem mandado e diante dos seus familiares, provocando forte indignação entre líderes cristãos. Ronaldo foi libertado horas depois, sem qualquer explicação.
Prisões em Cuba e avanço dos protestos
As detenções dos líderes cristãos acontecem num contexto de manifestações em diversas regiões de Cuba contra o regime e contra a grave crise económica. Há relatos de batidas policiais, convocações obrigatórias e prisões após um ataque a um edifício do Partido Comunista durante os protestos.
A crise no país intensificou‑se desde o início de 2026, com falta de eletricidade, alimentos e medicamentos. Em algumas regiões, os cortes de energia ultrapassam 20 horas por dia.
A captura de Nicolás Maduro, principal fornecedor de petróleo para Cuba, juntamente com novas pressões dos Estados Unidos, agravou ainda mais a escassez de combustível. O resultado é um cenário humanitário severo que afeta milhões de pessoas.
Perseguição sistemática à igreja
A perseguição a líderes cristãos em Cuba não é novidade. O governo reprime frequentemente igrejas independentes, consideradas ilegais por não estarem alinhadas ao regime.
“É verdade que existem igrejas em Cuba, mas apenas aquelas que apoiam o regime. As igrejas independentes são consideradas ilegais, e isso permite ao governo agir contra elas”, explica Laura, da equipa da Portas Abertas.
Pastores relatam:
- vigilância constante;
- restrições;
- perda de propriedades;
- interrogatórios frequentes.
Alguns pastores são forçados a deixar o país; outros sofrem forte pressão psicológica. Veja como parceiros locais da Portas Abertas têm apoiado famílias cristãs perseguidas na América Latina.
Pedidos de oração dos cristãos cubanos
- Pela libertação imediata de Jonathan Muir Burgos.
- Por paz, força e consolo para a família do jovem cristão preso, especialmente os seus pais.
- Pelos pastores e famílias cristãs em Cuba, que enfrentam intimidação, vigilância e ameaças por causa da fé.
- Pela igreja cubana, para que permaneça unida, firme e corajosa.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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