“Se te tornares cristão, mato-te”
Publicado em 06 Fev 2026

Aweis cresceu nos arredores de Mogadíscio, na Somália, região do Chifre de África, e fazia parte de uma família tradicional de pastores muçulmanos. O pai era um líder religioso e todos esperavam que ele continuasse o seu legado no islamismo. No entanto, a curiosidade levava-o a fazer perguntas que o islão não conseguia responder. “Quando tinha 15 anos, o meu pai percebeu que eu não era o sucessor certo, porque fazia muitas perguntas delicadas. Nunca fui feliz com o islamismo – quanto mais estudava, mais perguntas surgiam”, recorda.
A descoberta do cristianismo ocorreu por acaso. Ao procurar estações de rádio para aperfeiçoar o inglês, Aweis ouviu uma mensagem cristã na sua própria língua e ficou surpreendido, pois acreditava que todos os somalis eram muçulmanos.
O interesse despertou de imediato: “Aquilo foi muito atraente para mim, e continuei a ouvir. Perdi o noticiário naquela noite, mas não me arrependi”. A partir daí, passou a contactar o ministério de rádio e começou a receber literatura bíblica por correio – algo que hoje, devido à vigilância apertada e à instabilidade na Somália, já não é possível.
O preço da conversão
Quando contou ao pai que estava a estudar a Bíblia, recebeu um ultimato assustador:
“Não te posso impedir de ler a Bíblia, mas, se te tornares cristão, mato-te.”
Mesmo correndo risco de morte, três anos depois decidiu entregar a vida a Cristo, tornando-se um “traidor” para a família e para a comunidade.
O isolamento foi brutal: “A minha família recusava-se a falar comigo, a comer comigo ou a passar tempo comigo. Não me incluíam em nada. Eu era um pária, alguém que tinha manchado o nome da família. Chegaram a ameaçar a minha vida; foi muito doloroso. A inimizade e as ameaças foram muito maiores do que eu imaginava”, partilha.
Além da rejeição emocional, Aweis foi excluído da estrutura de clãs – essencial para a sobrevivência na sociedade somali. “Na cultura somali, não és nada sozinho. Se não estiveres ligado ao teu clã, és fraco. Há um provérbio somali que diz: ‘Tal como os teus sapatos te protegem, o teu clã protege-te.’ Quando o clã é retirado, ficas sem valor, sem meios de sobreviver ou prosperar”, explica.
Apesar de toda a pressão, a perseguição apenas fortaleceu a sua fé: “Quanto mais era ameaçado, mais perto de Jesus eu ficava.” Aweis caminhou sozinho na fé durante sete anos, até encontrar outros cristãos.
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