Norte-coreanos têm o primeiro contacto com a Bíblia em casas seguras
Publicado em 09 Mai 2026

Para muitos norte-coreanos que conseguem sair do país, a fuga acontece em silêncio e com extremo cuidado. Ao atravessar a fronteira para um país vizinho, levam apenas o que conseguiram esconder. Alguns fazem a travessia de forma ilegal. Outros conseguem vistos de saída, muitas vezes através de subornos.
No entanto, ao chegarem a casas seguras — abrigos mantidos pela Portas Abertas e por parceiros locais — deparam-se com algo que nunca deveriam ter visto: a Bíblia.
Pela primeira vez nas suas vidas, esses refugiados podem abrir as Escrituras sem medo de execução imediata. Num país onde o cristianismo é tratado como crime e ameaça ao regime, este encontro com a Palavra de Deus acontece em locais escondidos, mas cheios de significado.
Porque é que menos norte-coreanos conseguem fugir?
Nos últimos anos, menos norte-coreanos têm conseguido refugiar-se noutros países. A segurança nas fronteiras foi reforçada, tornando as travessias mais perigosas e menos frequentes. Aqueles que conseguem chegar são geralmente levados para casas seguras de parceiros da Portas Abertas, onde recebem alimento, abrigo, cuidados médicos e acompanhamento pastoral.
Alguns permanecem nesses locais por pouco tempo antes de prosseguir viagem. Outros ficam durante períodos mais longos, enquanto planeiam os próximos passos. Independentemente do tempo de permanência, estas casas tornam-se lugares de proteção física e, ao mesmo tempo, de profundo encontro espiritual.
O impacto do primeiro contacto com a Bíblia
Em muitos desses locais ocultos, refugiados norte-coreanos abrem a Bíblia pela primeira vez. Durante toda a vida, ouviram que os cristãos são inimigos do Estado, que a fé é um veneno e que as Escrituras são perigosas. Ao lerem o texto bíblico, essas narrativas entram em confronto com aquilo que encontram nas páginas da Palavra de Deus.
Essa diferença entre a propaganda e a verdade pode ser confusa. No entanto, a transformação nem sempre é imediata. Muitos desses refugiados viveram toda a vida num sistema que lhes ensinou a desconfiar de tudo o que está fora do controlo do Estado. Abrir a Bíblia significa enfrentar não apenas novas informações, mas uma compreensão completamente diferente sobre verdade, autoridade e propósito.
Alguns chegam à fé em Cristo. Outros permanecem inseguros. Contudo, todos são impactados por esse encontro.
O paradoxo das casas seguras

As casas seguras oferecem proteção física e a oportunidade de conhecer a fé cristã, mas também apresentam um paradoxo doloroso. O conhecimento adquirido nesses locais pode tornar-se extremamente perigoso caso o refugiado seja detido mais tarde.
Quer tenha atravessado a fronteira ilegalmente ou obtido um visto de saída, se for capturado no estrangeiro ou ao regressar à Coreia do Norte — mesmo por motivos não relacionados com a fé — será sujeito a interrogatórios rigorosos.
As autoridades costumam fazer três perguntas específicas:
- Frequentou alguma igreja?
- Encontrou missionários ou cristãos sul-coreanos?
- Leu a Bíblia?
Mesmo sem provas físicas, aquilo que a pessoa aprendeu, memorizou ou passou a acreditar pode ser extraído durante o interrogatório. A Bíblia estudada em segurança pode tornar-se testemunho contra si. As consequências são severas e podem incluir prisão, tortura, campos de trabalho forçado ou até execução.
Uma escolha que pode custar tudo
Ainda assim, muitos refugiados escolhem regressar. Voltam para junto de pais idosos, filhos deixados para trás e cônjuges que não conseguiram fugir. Não levam a Bíblia na bagagem, mas carregam no coração e na mente aquilo que aprenderam — algo que não pode ser confiscado, mas que também não é fácil de esconder se forem interrogados.
“Oferecemos segurança e as Escrituras, mas sabemos que aquilo que aprendem aqui pode custar-lhes tudo se regressarem a casa. Cada vez que alguém estuda a Bíblia numa casa segura, está a fazer uma escolha sobre o que levará consigo. Essa é a parte mais difícil do nosso trabalho”, partilha um parceiro local da Portas Abertas.
Como pode orar pelos cristãos norte-coreanos?
- Ore para que os norte-coreanos que têm contacto com a Bíblia pela primeira vez encontrem Deus no meio da confusão, da dor e das suas dúvidas, e para que a verdade prevaleça sobre anos de mentiras.
- Peça proteção divina para as casas seguras e para as redes que as sustentam, para que permaneçam escondidas e continuem a ser locais de refúgio e verdade.
- Interceda pelos parceiros locais da Portas Abertas, que ensinam a Bíblia mesmo conhecendo os riscos, para que Deus lhes conceda força, sabedoria e perseverança.
- Ore também pelas autoridades e perseguidores, para que o amor de Cristo alcance os seus corações e caminhos de justiça sejam abertos.
Alimento e abrigo para cristãos norte-coreanos
A Portas Abertas trabalha no apoio a refugiados norte-coreanos através de casas seguras, cuidado integral e acompanhamento espiritual. Este trabalho só é possível com o envolvimento da igreja global e de cristãos comprometidos com a oração e a generosidade. Contribua e ajude a sustentar casas seguras e o cuidado destes refugiados.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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