Há 12 anos, Ruth espera pelas filhas raptadas em Chibok
Publicado em 15 Abr 2026

Há 12 anos que Ruth vive entre a esperança e a angústia. Mãe de duas das raparigas raptadas em Chibok, na Nigéria, ela partilha que a maior dor não é apenas a saudade, mas a incerteza constante.
Leia também
- O que foi o rapto das meninas de Chibok?
- Porque é que a Nigéria é o país mais mortal para os cristãos?
- Desperta África: pelo fim da violência e pelo início da cura
Ruth é mãe de Godiya Bitrus e madrasta de Hauwa Bitrus, ambas raptadas em 2014. Neste mês de abril, assinalam‑se 12 anos do ataque do grupo terrorista Boko Haram à Escola Secundária Feminina do Governo (Government Girls Secondary School – GGCSS), em Chibok, no Nordeste da Nigéria.
Extremistas que fingiam ser soldados
Na noite de 14 de abril de 2014, membros do Boko Haram chegaram à escola fingindo ser soldados do governo enviados para proteger as alunas. No entanto, raptaram cerca de 275 raparigas. Desde então, dezenas foram libertadas, mas muitas continuam desaparecidas, sem que as suas famílias saibam ao certo o que lhes aconteceu. Ruth recorda esse dia como se fosse ontem.
“Vivíamos em paz. Eles atacaram logo depois do casamento do meu filho. Começámos a ouvir tiros antes das 23 horas. Eu moro noutra aldeia, perto de Chibok. Os tiros continuaram, e não sabíamos de onde vinham. Se era de Chibok, do mercado ou da escola, não dava para perceber”, conta.
12 anos de esperança e frustração
Estes detalhes, que podem parecer pequenos para outras pessoas, são as linhas que Ruth utiliza para manter vivas as memórias daquele dia e enfrentar a dor, enquanto ela e a sua família permanecem num limbo — cheios de esperança, mas também de frustração, mês após mês, ano após ano, sem notícias das raparigas.
Ao amanhecer, Ruth caminhou em direcção a Chibok.
“Quando cheguei, vi que todo o edifício tinha sido queimado. Eles incendiaram todo o dormitório. Nem sequer consegui encontrar os uniformes das raparigas para levar comigo.”
A cristã passou semanas sem conseguir dormir ou descansar.
“Durante uma semana inteira, só chorei. A minha boca cansou‑se de tanto chorar, e as lágrimas secaram. Lutámos, mas não conseguimos trazê‑las de volta.”
“Será que as voltarei a ver?”
Ao longo dos anos, o Boko Haram dirigiu as suas exigências de resgate ao governo federal da Nigéria. Algumas raparigas foram libertadas, embora os detalhes dessas negociações continuem pouco claros. Para mães como Ruth, que ainda aguardam notícias, a dor permanece envolta em silêncio e incerteza.
“Passados alguns meses, disseram‑nos para ir a Lagos. Ficámos lá dez dias. Depois disseram que as raparigas estavam lá e que iriam aparecer. Até hoje, não as vimos”, lamenta.
Actualmente, Ruth partilha que quase todos os seus pensamentos giram em torno de uma única pergunta:
“Será que as voltarei a ver?”
O sofrimento prolongado tem tido um impacto profundo em toda a família. O pai das raparigas está muito doente — “nem consegue esticar o corpo”, segundo Ruth — e a própria cristã vive num estado constante de ansiedade.
O pedido de Ruth pelas meninas de Chibok
O pedido de Ruth é simples, mas profundo: oração.
“Meus irmãos e irmãs em Cristo, ajudem‑me em oração, para que eu possa ver as minhas filhas, assim como outras mães já viram as delas. Queremos ouvir as suas vozes e saber que ainda estão vivas. Se não estiverem, que nos digam, para que possamos saber e orar a Deus por ajuda nesta situação. Este é o meu pedido.”
A Portas Abertas continua a levantar a sua voz em defesa das meninas de Chibok e de Leah Sharibu, apelando à comunidade internacional para que pressione o governo nigeriano a prosseguir os esforços para libertar todas as pessoas mantidas em cativeiro pelo Boko Haram, incluindo jovens cristãs que ainda permanecem raptadas.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
Artigos relacionados

Quem é Leah Sharibu?

Quem são os cristãos de origem muçulmana?






