Cristã desaparece numa prisão no Irão durante a guerra
Publicado em 04 Abr 2026 • Atualizado em 31 Mar 2026

As condições nas prisões iranianas deterioraram‑se de forma dramática desde o início do conflito atual no país. Em meio ao caos, cresce a preocupação com a cristã Simin Soheilinia, desaparecida há quase três semanas. A família afirma não receber notícias desde que a guerra começou. A ausência de informação sobre a cristã aumenta o receio pela sua segurança.
Aniversário na prisão
Simin, cristã de origem muçulmana, estava detida na Prisão de Evin, em Teerão, e completou 48 anos há poucos dias, em 21 de março, longe da família e sem qualquer contacto externo.
Ela foi detida em setembro de 2025 ao regressar ao país. Simin vivia no Canadá, mas voltou ao Irão após a morte do pai e o agravamento do estado de saúde da mãe. Mesmo com a esperança do marido de que o caso fosse revertido, ela foi presa ao desembarcar.
Detida por participar numa igreja doméstica
Simin cumpre pena por alegados crimes relacionados com a participação numa igreja doméstica, enquadrados pelas autoridades como “ato contra a segurança nacional”.
Inicialmente levada para a Prisão de Qarchak, foi posteriormente transferida para Evin. Desde o início da guerra, a ausência de qualquer contacto reforça a extrema vulnerabilidade dos cristãos presos no Irão.
O caso de Simin não é isolado. Cristãos iranianos que regressam ao país têm sido alvo de detenções, e até atividades cristãs realizadas no exterior têm servido como evidência em acusações de “propaganda contra a segurança nacional”.
Sentença reduzida antes da guerra
Antes do conflito, Simin tinha obtido uma vitória significativa: a redução da pena de dez anos para três anos e seis meses. Existia ainda um acordo que permitiria cumprir o restante da pena sob monitorização eletrónica fora da prisão.
Com a eclosão da guerra, porém, todas as comunicações foram interrompidas, e a família continua sem notícias. A situação de Simin reflete o que muitos detidos cristãos têm enfrentado nas prisões iranianas.
Prisões sob controlo militar e condições desumanas
Relatos recentes indicam instabilidade e violações de direitos humanos básicos:
- Guardas regulares abandonaram os seus postos.
- Forças de segurança assumiram o controlo interno.
- Visitas e consultas médicas foram suspensas.
- O acesso à saúde foi drasticamente reduzido.
- Detidos estariam a receber apenas uma refeição pequena e de má qualidade por dia.
Antes do conflito, ou seja, até ao fim de fevereiro de 2026, pelo menos 48 cristãos estavam presos no Irão exclusivamente por causa da fé ou de atividades religiosas, como liderança de igrejas domésticas.
Muitos desses cristãos estavam detidos em Evin, a famosa prisão em Teerão, conhecida por más condições, vigilância constante e violações de direitos humanos.
Vigilância digital aumenta pressão sobre cristãos
Para além das detenções, a pressão sobre cristãos iranianos aumentou também no ambiente digital. O braço de inteligência da Guarda Revolucionária (IRGC) enviou mensagens de texto a cidadãos alertando para o monitorização de atividades no Instagram e no Telegram.
O aviso informava que interações com páginas consideradas “inimigas” poderiam resultar em acusações com base no artigo 500 do Código Penal Islâmico – frequentemente utilizado contra cristãos.
A vigilância digital e a perseguição religiosa têm caminhado lado a lado para ampliar o controlo e intimidar minorias no país.
DIP 2026: Inscreva‑se e faça parte da resposta
A história de Simin revela a urgência não apenas de sabermos o que acontece no Médio Oriente, mas de agirmos. No Domingo da Igreja Perseguida (DIP) 2026, igrejas ao redor do mundo vão unir‑se para interceder, informar e mobilizar o corpo de Cristo em favor de cristãos que enfrentam perseguição extrema, como Simin e muitos outros no Médio Oriente. Mobilize a sua igreja. Inscreva‑se gratuitamente no DIP 2026.
Pedidos de oração dos cristãos iranianos
- Pela proteção de Simin, para que o Senhor seja o seu refúgio e força.
- Por luz e esperança mesmo dentro das prisões.
- Por consolo e sustento para as famílias de cristãos presos por causa da fé.
- Por sabedoria e coragem para os cristãos monitorizados digitalmente no Irão.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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