Afegã descobre que o marido é cristão após o casamento
Publicado em 10 Mar 2026 • Atualizado em 15 Mar 2026

Sendo mulher no Afeganistão, Ariana (pseudónimo) sabia que devia ouvir e obedecer qualquer homem da sua família. Era assim que viviam todas as mulheres que conhecia.
“No meu bairro, os homens eram como ditadores. Tudo o que diziam, as mulheres tinham de obedecer. As raparigas não tinham liberdade. Sofri muito por causa disso, mas sempre mantive esperança, desejando sair da aldeia e ir para outro lugar. Pensava que era como uma águia e que tinha de voar para longe dali porque tinha dentro de mim um forte sentido de liberdade e entusiasmo”, lembra Ariana.
Um dia, apaixonou-se por um jovem da sua aldeia, mas esse afeto era um segredo perigoso numa sociedade em que os casamentos são arranjados. Quando a sua tia encontrou uma carta de amor que o rapaz lhe tinha escrito, o segredo veio ao de cima e as consequências foram imediatas.
O romance foi recebido com desaprovação severa por parte da sua família e da comunidade. “Quando a minha tia encontrou a carta, toda a minha tribo e as pessoas souberam que eu estava apaixonada. Então o meu irmão veio à porta de casa com uma faca grande, querendo matar-me, porque todos sabiam dos meus sentimentos.”
Para conter o escândalo, a família de Ariana apressou o casamento com o rapaz. Mal sabiam que, ao tentar controlar as consequências da ousadia de Ariana em escolher o próprio marido, estavam a colocá-la diretamente no caminho de Jesus. Ninguém sabia que a família do marido era cristã.
A conversão de Ariana
Ariana percebia que havia algo diferente na família do esposo. Ficou ainda mais curiosa depois de a casa ser atacada e o cunhado ser morto. Supondo que o ataque estivesse relacionado com o trabalho deles — todos tinham empregos no governo — Ariana só mais tarde compreenderia que o verdadeiro motivo era a fé da família em Jesus.
“Uma granada foi lançada contra a nossa casa às duas da manhã. A morte do meu cunhado e outras dificuldades criaram muita pressão sobre nós no Afeganistão. Por isso, o meu sogro queria deixar o país. Já não estávamos seguros e tornámo-nos refugiados noutro país”, lembra.
Fugindo da violência, a família procurou refúgio na Ásia Central. Só então, longe de casa, partilharam o segredo com Ariana: um homem russo tinha-lhes falado do evangelho. Tornaram-se cristãos secretos no Afeganistão, onde ser descoberto como cristão é convite certo a ataques violentos.
“Meu marido e o meu sogro falaram comigo muito gentilmente: ‘Queremos que te tornes cristã, como nós. Queres seguir Jesus?’ Eu disse que sim porque amava o meu marido e queria acompanhá-lo”, conta.
A experiência de amor e bondade por parte da família do marido tornou fácil para Ariana estar aberta a frequentar a igreja. Com o tempo, percebeu o amor de Jesus por ela e decidiu segui-lo.
Mas essa decisão teve um custo alto. Rumores sobre a sua conversão chegaram à família biológica. O irmão, que antes a quisera matar por se apaixonar, voltou a ameaçá-la — desta vez de forma ainda mais assustadora.
“Um dia, o meu irmão ligou-me e disse: ‘Ouvi dizer que traíste a tua religião e te tornaste cristã. Se estiverem a pressionar-te, vou salvar-te. Mas se realmente abandonaste a tua religião, estou disposto a matar-te e ir para a prisão perpétua, para limpar essa desonra do nosso povo’”, recorda Ariana.
A paz na presença de Deus
Para Ariana, a fé é a sua segurança. Cresceu muito no relacionamento com Jesus e é essa confiança que a sustém perante desafios que parecem impossíveis.
“A Bíblia, em Romanos 8:35-39, diz que os filhos de Deus enfrentarão perseguição e sofrimento, mas essa passagem é a nossa esperança porque lembra que Deus está sempre connosco. É isto que nos encoraja e fortalece nas dificuldades de hoje.”
Por isso, Ariana sente o chamamento para pregar o evangelho. Partilha o amor de Deus com outros refugiados que vivem dominados pelo medo.
“Eu partilho a Palavra de Deus com muitas famílias afegãs. Este é um momento especialmente difícil para elas porque as deportações de volta ao Afeganistão já acontecem há quase dois anos e agora as coisas estão a piorar”, diz.
Através de pessoas como Ariana, a Portas Abertas apoia cristãos afegãos refugiados na Ásia Central com ajuda emergencial, discipulado e formação — preparando uma nova geração de cristãos afegãos que amam profundamente Jesus.
Cristãs perseguidas como Ariana precisam de ajuda
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