O que é o Hamas?
Publicado em 01 Mar 2026 • Atualizado em 20 Mai 2026

Hamas é uma sigla utilizada para designar Harakah al-Muqawamah al-Islamiyyah, que significa Movimento de Resistência Islâmica. Este grupo constitui a maior organização militante islâmica da Palestina, controlando a Faixa de Gaza, e tem como objectivo a destruição de Israel para a criação de um território palestiniano e islâmico.
O Hamas mantém uma aliança regional que inclui o Irão, a Síria e o grupo extremista islâmico Hezbollah, do Líbano. Todos se opõem à interferência política dos Estados Unidos no Médio Oriente e a Israel.
Com a retirada das tropas e dos colonos israelitas de Gaza, em 2005, o Hamas integrou-se no processo político palestiniano e venceu as eleições legislativas de 2006. Contudo, o grupo rival Fatah não aceitou os resultados, tendo o Hamas assumido o controlo de Gaza de forma violenta. Desde então, registaram-se confrontos com Israel, que impôs um bloqueio territorial, juntamente com o Egipto.
Como organização fundamentalista islâmica, o Hamas segue os princípios da sharia (conjunto de leis islâmicas) e, após assumir o controlo de Gaza, tornou o sistema judicial e outras instituições governamentais mais autoritárias. Além disso, o grupo exerce censura sobre os meios de comunicação em Gaza, reprime a oposição de outras organizações e limita até manifestações de civis nas redes sociais.
Actualmente, o Hamas controla territórios onde residem palestinianos, na Faixa de Gaza e em parte da Cisjordânia. Os seus representantes ocupam 74 das 132 cadeiras do Conselho Legislativo Palestiniano desde 2006, quando 45% da população votou nos seus candidatos.
Quando e como surgiu o Hamas?
O Hamas surgiu em 1987, durante a primeira Intifada Palestina, um movimento de oposição à ocupação israelita na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O grupo é uma ramificação da Irmandade Muçulmana, a maior e mais antiga organização islâmica do Egipto.

Desde a sua fundação pelo imã (líder religioso islâmico) Ahmed Ismail Hassan Yassin, o Hamas possui um estatuto que considera o território da Palestina e de Israel como propriedade eterna do povo muçulmano, concedida por Alá. Para alcançar esse objectivo, o grupo declara a intenção de promover uma luta armada contra Israel por meio das brigadas Izzedine al-Qassam, bem como desenvolver socialmente a população palestiniana.
Num trecho do seu estatuto, expressa-se claramente o objectivo do Hamas: “Israel existirá e continuará a existir até que o islão o faça desaparecer, como fez desaparecer todos aqueles que existiram antes dele.”
Quem é o actual líder do Hamas?
O actual líder do Hamas é Mohammad Masri, mais conhecido como Mohammed Deif. Nasceu em 1965 no campo de refugiados de Khan Yunis, criado em 1948 após a primeira guerra árabe-israelita. Deif juntou-se ao Hamas em 1987, durante a primeira Intifada.
O líder do grupo é licenciado em Biologia pela Universidade Islâmica de Gaza, onde liderou um comité de entretenimento e participou em apresentações de comédia. Contudo, no Hamas, Deif idealizou a rede de túneis e liderou a produção de explosivos. Essas actividades colocaram-no entre os mais procurados por Israel, sendo responsabilizado por atentados suicidas que resultaram na morte de centenas de israelitas.
Em 1989, foi preso durante 16 meses, mas persistiu na sua ligação ao grupo. Deif actua de forma discreta para preservar a sua vida e liderança. Já sofreu consequências pessoais, tendo perdido a esposa e os filhos num ataque aéreo israelita em 2014.
Deif evita o uso de tecnologia digital, como telemóveis, e costuma aparecer mascarado nos vídeos difundidos pelo Hamas. Segundo uma fonte do grupo citada pela CNN, perdeu um olho e sofreu graves ferimentos numa perna após uma tentativa de assassinato por parte de Israel.
Qual é o poderio militar do Hamas?
De acordo com serviços de inteligência de Israel, o Hamas contava com cerca de 30 mil combatentes antes do ataque de 7 de Outubro. No entanto, meios de comunicação árabes afirmam que o número poderá atingir os 40 mil.

O arsenal do Hamas é variado e provém de vários países do Médio Oriente, como o Irão, a Síria e a Líbia. O grupo recebeu milhões de dólares em apoio militar do Irão, destinados ao treino e armamento, embora este país negue envolvimento em ataques recentes contra Israel.
As armas ligeiras e fuzis de assalto são provenientes da China e de países do Leste Europeu, sendo algumas capturadas em combate. O Hamas dispõe de cerca de 30 mil foguetes produzidos localmente, além de drones, explosivos improvisados, minas, mísseis guiados e morteiros.
Como o Hamas persegue os cristãos?
À semelhança de outros grupos extremistas islâmicos, o Hamas tem como objectivo estabelecer um Estado islâmico baseado na sharia. Neste contexto, os cristãos são frequentemente tratados como cidadãos de segunda classe, sendo relegados para trabalhos mais difíceis, privados de apoio social do Estado e impedidos de expressar publicamente a sua fé.
Cristãos que abandonam o islão para seguir Jesus podem enfrentar punições severas, incluindo agressões, prisão ou até morte por parte de governos radicais. Além disso, podem sofrer pressão da própria família e comunidade, sendo alvo de ameaças, violência, confinamento, casamentos forçados ou até assassinato em nome da honra familiar.
No seu estatuto, o Hamas declara a sua posição teórica em relação a outras religiões: “Mostra-se hostil apenas para com aqueles seguidores de outras religiões que demonstram hostilidade para com o Movimento ou que impedem as suas actividades. Sob a égide do islão, os seguidores das três religiões – islamismo, cristianismo e judaísmo – podem coexistir com segurança.”
No entanto, a realidade vivida por muitos cristãos em contextos dominados pelo fundamentalismo islâmico revela uma situação distinta, marcada por perseguição intensa aos seguidores de Jesus Cristo.
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