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Conheça o Al-Shabaab, grupo extremista da Somália 

Os extremistas islâmicos do Al-Shabaab procuram implementar a sharia na Somália e recrutam jihadistas de países vizinhos para integrar o grupo

Publicado em 02 Fev 2026 • Atualizado em 06 Fev 2026

Cristãos de todas as idades enfrentam as consequências dos ataques do Al-Shabaab

A Somália é uma nação de maioria muçulmana, cuja sociedade espera que todos os somalis sigam o islamismo. Assim, líderes religiosos das mesquitas e das madrassas (escolas islâmicas), bem como dirigentes do grupo Al-Shabaab, declaram publicamente que não há espaço para o cristianismo, para os cristãos ou para igrejas em território somali. 

A própria Constituição do país estabelece que o islamismo é a religião do Estado. O governo somali proíbe a celebração pública do Natal, pelo que os cristãos que desejam assinalar esta data têm de o fazer de forma muito discreta. Neste contexto, o Al-Shabaab tem promovido, de forma consistente, uma ideologia profundamente anticristã no país. 

O que é o Al-Shabaab? 

O Al-Shabaab é um grupo militante islâmico que defende que todos os aspetos da vida na Somália devem ser regidos pela sharia (conjunto de leis islâmicas) e pela doutrina do wahabismo – uma vertente ultraconservadora do islamismo sunita, surgida no século XVIII na região que corresponde hoje à Arábia Saudita, baseada nos ensinamentos de Muhammad ibn Abd al-Wahhab, enfatizando um regresso às “práticas originais do Islão” e rejeitando inovações posteriores, como novos estilos musicais e festividades que surgiram após os primeiros séculos da religião. 

Entre as leis derivadas da interpretação rígida da sharia em áreas controladas pelo Al-Shabaab incluem-se o apedrejamento até à morte de mulheres acusadas de adultério e a amputação das mãos de pessoas condenadas por roubo. O grupo extremista também procura e executa somalis suspeitos de se terem convertido ao cristianismo. Ser cristão, especialmente quando se é de origem muçulmana, constitui um risco extremo e pode levar à morte às mãos de grupos radicais.  

 Al-Shabaab significa “os jovens”, em árabe. O grupo surgiu como a ala radical jovem do extinto Conselho Supremo das Cortes Islâmicas da Somália, que controlava Mogadíscio, a capital do país, em 2006, antes de ser expulso por forças etíopes. 

Há relatos de jihadistas estrangeiros, provenientes de países vizinhos, dos Estados Unidos e da Europa, que se deslocam à Somália para apoiar o Al-Shabaab. O grupo foi classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido e estima-se que possua entre sete e nove mil combatentes. 

Quais são as conexões do Al-Shabaab? 

Num vídeo publicado em fevereiro de 2012, o então líder do Al-Shabaab, Ahmed Abdi Godane, declarou “obediência” à Al-Qaeda, liderada por Ayman al-Zawahiri. Também surgiram diversos relatos sugerindo que o Al-Shabaab poderia ter tentado estabelecer ligações com outros grupos militantes africanos, como o Boko Haram, na Nigéria. O grupo chegou a debater a possibilidade de prestar lealdade ao Estado Islâmico após o seu aparecimento, em janeiro de 2014, mas acabou por rejeitar essa opção, o que levou à formação de uma pequena fação dissidente. 

Desde 2014, o Al-Shabaab é liderado por Ahmad Umar, também conhecido como Abu Ubaidah, que assumiu a liderança após Godane ter sido morto num ataque de drones norte-americanos. Os Estados Unidos oferecem uma recompensa de seis milhões de dólares por informações que levem à sua captura. 

Quão perigoso é o Al-Shabaab? 

O Al-Shabaab é extremamente letal. Segundo a BBC, o governo da Somália responsabiliza o grupo pela morte de pelo menos 500 pessoas num grande bombardeamento ocorrido na capital, Mogadíscio, em outubro de 2017. Esse foi o ataque mais mortal registado no Leste Africano. Contudo, o Al-Shabaab não reivindicou a autoria. Ainda assim, o grupo confirmou ter realizado um ataque de grande dimensão contra uma base militar queniana, na cidade de El Adde, na Somália, em janeiro de 2016, que resultou na morte de cerca de 180 soldados, segundo declarou o então presidente Hassan Sheikh Mohamud. 

Cadeira Da Univerdade De Garissa
Cadeira da sala de oração atingida pelo bombardeamento do Al-Shabaab no ataque à Universidade de Garissa em 2015. 

O Al‑Shabaab também realizou vários ataques no Quénia, incluindo o massacre de 2015 na Universidade de Garissa, perto da fronteira com a Somália. Um total de 148 pessoas perdeu a vida quando homens armados invadiram a universidade e alvejaram estudantes cristãos. E, durante o Campeonato do Mundo de Futebol, em 2010, o grupo bombardeou um clube de râguebi e um restaurante no Uganda, na capital Kampala, matando 74 pessoas que assistiam a um jogo. 

Quanto da Somália é controlado pelo Al‑Shabaab? 

Apesar de ter perdido o controlo da maioria das cidades, o Al‑Shabaab continua a dominar vastas áreas rurais na Somália. O grupo combate o governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, devido à ameaça que representa, foi expulso da maior parte das cidades principais que anteriormente controlava. Por essa razão, tem vindo a deslocar-se para o interior do país. 

O Al‑Shabaab foi expulso da capital, Mogadíscio, em agosto de 2011, após uma ofensiva liderada por cerca de 22 mil tropas da União Africana, e abandonou o importante porto de Kismayo em setembro de 2012. Esta última perda teve impacto significativo nas suas finanças, uma vez que o porto era utilizado para gerar receitas através do lucrativo comércio de carvão da cidade. 

Os Estados Unidos têm atuado militarmente contra o Al‑Shabaab, eliminando líderes importantes como Aden Hashi Ayro, em 2008, e o seu sucessor, Ahmed Abdi Godane. Em 2017, o presidente Donald Trump intensificou essa campanha ao aprovar um plano que resultou em 30 ataques aéreos nesse ano, número mais de quatro vezes superior à média anterior.  

A iniciativa, que envolve mais de 500 soldados, procura enfraquecer o grupo na Somália. No entanto, o Al‑Shabaab continua a representar uma ameaça real, mantendo capacidade para executar ataques suicidas e recuperar o controlo de algumas áreas. 

Como é que o Al‑Shabaab persegue os cristãos? 

Eliminar a presença cristã na Somália é um dos objectivos declarados do Al‑Shabaab. Por essa razão, os jihadistas levam a cabo ataques cujo propósito é matar o maior número possível de cristãos. Durante emboscadas, os combatentes do Al‑Shabaab obrigam as vítimas a recitar a shahada (a declaração islâmica de fé) e aqueles que se recusam — por permanecerem fiéis a Cristo — são rotulados como infiéis e executados. 

O Al‑Shabaab infiltra‑se em cidades e aldeias e vigia todas as actividades. O grupo realiza amputações, aplica açoites públicos a mulheres e executa aqueles que quebram as suas regras. Face a tanta violência, muitos cristãos optam por viver a sua fé de forma secreta, perseverando silenciosamente no Evangelho. 

Como é que a Portas Abertas apoia cristãos atacados pelo Al‑Shabaab? 

Parceiros locais da Portas Abertas oferecem acompanhamento pós‑trauma, formações e diversas formas de ajuda emergencial em várias regiões da África Subsaariana afectadas pela violência extrema, através da campanha Desperta África. A mobilização procura promover o fim da violência e o início da restauração espiritual, emocional e comunitária dos cristãos perseguidos em toda a África Subsaariana. 

PERGUNTAS FREQUENTES 

O AlShabaab foi responsável pelo ataque à Universidade de Garissa? 

Sim. O Al‑Shabaab realizou vários ataques no Quénia, incluindo o massacre de 2015 na Universidade de Garissa, perto da fronteira com a Somália. Um total de 148 pessoas perdeu a vida quando militantes armados do grupo invadiram a universidade e alvejaram estudantes cristãos. 

O AlShabaab foi responsável pelo ataque com bombas mais mortal da África Oriental? 

Sim. Pelo menos 500 pessoas morreram num grande atentado com explosivos na capital, Mogadíscio, em outubro de 2017. Esse foi o ataque bombista mais mortal da África Oriental. 

O AlShabaab é ligado à AlQaeda? 

Sim. Em 2012, o líder do Al‑Shabaab, Ahmed Abdi Godane, declarou num vídeo que “prometia obediência” à Al‑Qaeda. 

Erga a sua voz pela Igreja na África Subsaariana 

Pode apoiar, de forma prática, os nossos irmãos na fé da África Subsaariana que são vítimas de violência extrema por seguirem Jesus. Assine a petição da campanha Desperta África e erga a sua voz pelo fim da violência e pelo início da cura. Assine agora! 

Rodape Desperta Africa 2 1

A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

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