Cristã perde familiares em ataque a igreja na Síria
Publicado em 21 Mai 2026 • Atualizado em 24 Mai 2026

Jenny (pseudónimo), uma cristã que vive em Damasco, na Síria, recebeu a visita de uma amiga em sua casa. Por isso, não foi à igreja naquele domingo, 22 de junho de 2025. Por volta das 18h30, as jovens ouviram o som de tiros seguido de uma explosão.
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Logo depois, recebeu uma chamada: “Disseram-nos que um homem-bomba se fez explodir dentro da igreja que a minha família frequentava e que todos lá dentro tinham morrido”. Jenny sabia que o seu pai estava na igreja — e que ela também lá estaria, não fosse a visita da amiga.
A cristã ficou profundamente abalada com a notícia. “A primeira coisa que me veio à cabeça foi que precisava de encontrar o meu pai de qualquer maneira. Comecei a ligar para os dois números dele. Um telefone estava desligado, o outro continuava a chamar. Depois de tentar três vezes, alguém atendeu. O homem do outro lado disse que tinha encontrado o telemóvel no chão e que não sabia se o dono estava vivo ou morto”, conta Jenny.
Juntamente com a sua irmã, Jenny dirigiu-se à igreja, mas ambas foram impedidas pelas forças de segurança, que temiam novas explosões. Um familiar das jovens disse que viu o pai sair da igreja. “Senti que ele estava a esconder algo. Não olhava diretamente nos meus olhos. Disse que o meu pai ainda estava vivo e que tinha sido levado de ambulância.”
A notícia que mudou tudo
Jenny e a sua irmã descobriram que o pai tinha sido levado para o hospital num táxi, e não numa ambulância. Também souberam que ele tinha ficado gravemente ferido na explosão e precisava de cuidados médicos urgentes. Quando chegaram ao hospital, uma enfermeira disse-lhes que o pai estava em estado estável, mas que tinha o abdómen aberto e que a cirurgia poderia demorar horas.
Entretanto, um amigo da família e uma tia de Jenny, que também estavam no culto, foram declarados mortos no mesmo hospital. Infelizmente, pouco tempo depois, Jenny recebeu a notícia de que o seu pai tinha falecido.
Após o ataque, Jenny apoiou-se na sua fé. “Nos primeiros dias, estava em choque. Quando voltei do hospital e no dia seguinte, não conseguia falar nem chorar. Eu amo o relacionamento que tenho com Deus. Tinha a certeza de que as pessoas que morreram foram salvas por Cristo, incluindo o meu pai. Acredito que ele está com Jesus, com toda a certeza.”
“Porquê?”
Jenny ainda não sabe por que razão o agressor atacou naquela noite. “Algumas pessoas podem dizer que o agrediriam ou até o matariam se o encontrassem. Eu não faria isso. Apenas lhe perguntaria: ‘Porquê? Eu sou apenas uma pessoa a orar na igreja. Não estou a lutar contra si nem lhe faço mal.’”
Jenny é uma das cristãs sírias que participaram em sessões de acompanhamento pós-trauma, ministradas por um parceiro da Portas Abertas. Utilizou a formação recebida para lidar não só com o seu próprio luto, mas também com o de outras pessoas. Recentemente, ofereceu-se como voluntária para servir como conselheira neste projeto. Os conselheiros apoiam crianças e mulheres afetadas pelos bombardeamentos e pela violência na região.
“É importante para mim ajudar pessoas que passaram pela mesma experiência que eu. É meu dever estar ao lado delas e apoiá-las, tal como eu recebi apoio em determinada altura”, partilha Jenny.
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