Como está a Igreja Perseguida a sobreviver na Síria?
Publicado em 06 Mai 2026 • Atualizado em 05 Mai 2026

Um dos destaques mais marcantes da Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026 foi a subida significativa da Síria no índice, passando da 18.ª para a 6.ª posição. Este agravamento deve-se sobretudo à onda crescente de violência dirigida contra a Igreja.
Tudo teve início em Dezembro de 2024, com a queda do regime de Bashar al‑Assad. O país passou então para o controlo do grupo jihadista Hay’at Tahrir al‑Sham (HTS), tornando incerto o futuro dos cristãos na Síria.
Nesse mesmo mês, um atirador não identificado vandalizou uma igreja e um cemitério cristão na cidade de Hama. Este ataque foi apenas o primeiro de uma série de incidentes violentos na região, que resultaram em igrejas destruídas e na morte de cristãos.
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Em Junho de 2025, um ataque suicida durante um culto na capital, Damasco, provocou a morte de 22 cristãos, deixou 63 feridos e causou danos graves na estrutura do edifício da igreja. O governo sírio atribuiu o ataque a uma célula do autodenominado Estado Islâmico.
O atentado em Damasco levou muitos cristãos a deixarem de frequentar as igrejas, enquanto diversas congregações foram forçadas a reduzir as suas actividades por motivos de segurança. O receio de novos ataques e o crescimento do islamismo radical no país levaram muitos seguidores de Jesus a esconder qualquer sinal que os identificasse como cristãos.
Para além da violência contra os cristãos na Síria
A violência não é a única forma de perseguição enfrentada pelos cristãos na Síria. A Constituição provisória divulgada pelo governo em Março de 2025 concentra o poder nas mãos do presidente e estabelece os princípios islâmicos como a principal fonte da legislação.
Neste contexto político ainda instável, após a queda de Assad, grupos radicais e militantes encontraram espaço para actuar impunemente contra a Igreja. Agressões, ameaças e actos de intimidação por parte de extremistas levaram muitos seguidores de Jesus a abandonar as suas casas.
Em cidades como Damasco e Alepo, as igrejas encontram-se sob vigilância constante e enfrentam uma pesada carga burocrática para renovar as suas licenças de funcionamento ou obter autorização para a realização de actividades especiais.
Além disso, panfletos são deixados nas congregações, exigindo a conversão ao islamismo ou o pagamento da jizya, um imposto cobrado aos não muçulmanos em troca da sua segurança. Carros com altifalantes também circulam nos bairros cristãos de Damasco, apelando à conversão dos residentes ao islamismo.

Outros impactos da perseguição na Síria
Em toda a Síria, os cristãos sentem os efeitos das políticas implementadas pelo governo do Hay’at Tahrir al‑Sham (HTS). Recentemente, o sistema educativo começou a ser reformulado de acordo com a ideologia islâmica, removendo dos currículos escolares a história pré‑islâmica e passando a incluir descrições de judeus e cristãos como “aqueles que estão condenados e se desviaram”.
Mesmo em regiões do país onde o cristianismo costuma ser mais tolerado, as autoridades encerraram 14 escolas privadas cristãs que se recusaram a adoptar o novo currículo escolar. Esta decisão deixou milhares de alunos sem acesso às aulas e dificultou significativamente o seu ingresso no ensino superior.
Embora a violência seja um dos aspectos mais visíveis quando se fala da perseguição na Síria, tanto a intolerância — que gera essa violência — como o medo — que resulta dessas agressões — afectam profundamente a vida dos cristãos sírios em todas as suas dimensões.
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