Pastores dos Camarões pregam mesmo sob ameaça do Boko Haram
Publicado em 28 Mar 2026 • Atualizado em 24 Mar 2026

Nos últimos 15 anos, a região Norte dos Camarões tem sido um lugar marcado por violência e morte contra os cristãos. Todas as noites, as pessoas vivem com medo de um possível ataque do grupo Boko Haram. Os extremistas escondem‑se nas montanhas e, durante a noite, invadem vilarejos para roubar comida e qualquer outro item que lhes possa interessar.
É neste cenário que o pastor Mamoud e outros pastores continuam a obedecer ao chamado de Deus. Todos os fins de semana, eles viajam para essa região, que um dia foi o seu lar.
O vilarejo onde Mamoud vivia era atacado com tanta frequência que os líderes cristãos tomaram a difícil decisão de fugir com as suas famílias para garantir a segurança de todos. O pastor lembra vividamente esses momentos:
“A primeira vez que o Boko Haram veio, chegaram a gritar ‘Alá é o maior’. Se apanhassem você, davam‑lhe uma oportunidade para se converter ao islão. Se recusasse, era morto.
Fugíamos para as montanhas, enquanto as nossas esposas e filhos ficavam bem escondidos. Nós, os homens, permanecíamos mais perto do vilarejo para avisar as nossas famílias caso o perigo se aproximasse.Vivemos assim durante dois anos, até que comecei a encontrar cadáveres. Cada vez mais vilas estavam a ser atacadas. Os lugares onde nos escondíamos já tinham sido invadidos. Finalmente decidimos ir embora, para muito longe.”
Uma decisão arriscada
Hoje, Mamoud vive noutra cidade. As condições de vida não são as melhores, mas a sua família está segura. Mesmo assim, ele não abandonou os cristãos que continuam na região controlada pela violência. Todas as semanas, regressa às comunidades para partilhar o evangelho.
“Os cristãos dizem: ‘Se os militantes nos matarem, tudo bem. Se não nos matarem, também está tudo bem’. Eles já não têm esperança. É por isso que eu vou até eles levar a Palavra de Deus. Sou responsável por essas pessoas e não posso abandoná‑las”, afirma um líder cristão.
A determinação de Mamoud e de outros pastores não elimina os riscos do ministério. Quando estão no vilarejo, enfrentam exactamente os mesmos perigos que aqueles que decidiram permanecer ali.
“Quando viajo, peço à minha esposa: ‘Permanece em oração até eu voltar. Se eu não voltar, a vontade de Deus foi feita’”, diz Mamoud.
Com o apoio de parceiros locais, a Portas Abertas tem suprido as necessidades da família de Mamoud e de outros pastores, ajudando‑os nas viagens semanais.
Você pode fazer parte da história de Mamoud
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