Ataques na Etiópia deixam mais de 20 cristãos mortos
Publicado em 16 Mar 2026

Famílias inteiras fugiram das suas casas. Igrejas foram incendiadas. E cristãos que antes viviam em paz agora estão profundamente vulneráveis. Esta é a realidade em Arsi Leste, na Etiópia, onde dois ataques devastadores em fevereiro deixaram mortos e centenas de deslocados.
Compreenda como os cristãos são perseguidos na Etiópia, o 36.º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
Primeiro ataque: 20 cristãos assassinados num mercado
O primeiro ataque aconteceu num mercado na quinta‑feira, 26 de fevereiro. Homens armados invadiram o local e mataram 20 cristãos ortodoxos e um guarda muçulmano.
Segundo uma agência de notícias local, “o paradeiro de oito pessoas continua desconhecido, oito foram hospitalizadas e duas foram raptadas”.
O caos aumentou quando os agressores incendiaram casas e plantações, causando destruição generalizada. Muitos habitantes fugiram para cidades próximas em busca de segurança.
Segundo ataque: Igreja Abo invadida
No sábado, 28 de fevereiro, o terror voltou quando os agressores regressaram. Homens armados invadiram novamente a Igreja Abo, gritando “Allahu Akbar” antes de abrirem fogo e matarem sete pessoas dentro da igreja, no bairro de Jawi, distrito de Sherka, na Zona Arsi.
Ainda não está claro se era o mesmo grupo responsável pelo ataque ao mercado. Casas pertencentes à igreja foram incendiadas, e os grãos recolhidos para apoiar os necessitados também foram destruídos.
Com medo de novos ataques, muitos cristãos ortodoxos mudaram‑se para uma cidade vizinha.
Quem é responsável pelos ataques?
Nenhum grupo assumiu oficialmente a responsabilidade.
O Conselho Supremo de Assuntos Islâmicos da Etiópia declarou:
“Estamos profundamente entristecidos pelo horrível incidente contra os nossos inocentes compatriotas seguidores da religião cristã ortodoxa.”
Segundo o conselho, “a ação não representa nenhuma religião” e procura criar desconfiança e conflito, corroendo antigos valores de respeito mútuo.
Contexto do conflito na Zona Arsi
A Zona Arsi, na Região Oromia, é predominantemente muçulmana. No entanto, existem bairros onde vivem cristãos da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo. Historicamente, estas comunidades viviam em relativa paz com os seus vizinhos muçulmanos.
Mas pesquisas recentes mostram um padrão preocupante de ataques direcionados contra essas comunidades cristãs.
Fikiru (pseudónimo), especialista em perseguição no Chifre da África, explica que essa conclusão foi confirmada por fontes locais verificadas e incidentes documentados, incluindo os do ano passado.
“Estes incidentes envolvem frequentemente ataques a membros da igreja e líderes religiosos”, relata o especialista da Portas Abertas.
Análise da Portas Abertas Internacional
Embora grupos rebeldes ativos na Oromia normalmente visem pessoas de outras etnias, o que se observa na Zona Arsi é mais complexo e alarmante.
Dados da equipa de pesquisa da Portas Abertas Internacional apontam que os ataques são:
1. Direcionados
As vítimas incluem até oromos étnicos. Eles são atacados não pela etnia, mas por serem cristãos ortodoxos — rotulados como conservadores e ligados à igreja.
2. Organizados
A violência não é aleatória; há coordenação entre os agressores.
3. Motivados por causas complexas
- Antagonismo étnico: tensões existentes estão a ser exploradas.
- Radicalismo religioso: há sinais de incitação por parte de grupos islamistas com o objetivo de reduzir a presença cristã ortodoxa.
A vulnerabilidade dos cristãos etíopes faz parte de um cenário maior no Chifre da África, onde ataques deste tipo se tornam cada vez mais frequentes e violentos.
“Os ataques têm um impacto espiritual nos cristãos e nos líderes, ao saberem que a sua fé os coloca na mira. Pedimos que a igreja global se una em oração pelas comunidades afetadas”, conclui Fikiru.
Perguntas frequentes
Como você pode ajudar a Igreja Perseguida na Etiópia?
A Portas Abertas atua no Chifre da África fortalecendo igrejas, oferecendo ajuda emergencial e treinando cristãos perseguidos. Apoie este projeto para que mais cristãos encontrem proteção e esperança.
Qual é a história do cristianismo na Etiópia?
A Etiópia é uma das nações cristãs mais antigas da África. O cristianismo chegou no século IV, durante o Império de Axum, quando a família real se converteu, levando a fé cristã a espalhar‑se por todo o país. A Igreja Ortodoxa Etíope manteve ligação histórica com a Igreja Copta do Egito. O cristianismo ortodoxo foi religião de Estado até 1974.
O que é o Chifre da África?
O Chifre da África é uma região do Leste Africano composta por quatro países: Somália, Djibuti, Etiópia e Eritreia.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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