Mais de dez mil igrejas encerradas no Ruanda
Publicado em 27 Jan 2026 • Atualizado em 04 Fev 2026

Mais de dez mil igrejas foram encerradas no Ruanda, no âmbito de uma campanha repressiva que tem colocado a liberdade religiosa sob forte ataque. A situação começou com a introdução da lei de 2018, que regulamenta os locais de culto, mas tornou‑se ainda mais crítica este ano. Há preocupação adicional porque outros governos africanos — como o da Tanzânia — e até países presentes na Lista Mundial da Perseguição 2026, como Moçambique e Etiópia, ponderam adoptar legislação semelhante.
Exigências rigorosas impostas pela lei de 2018
Desde que entrou em vigor, a lei passou a exigir requisitos extremamente rígidos a igrejas e mesquitas no que toca a segurança, higiene, infraestrutura e registo. Para muitas comunidades religiosas, estes requisitos são impossíveis de cumprir. Entre as exigências estão:
- casas de banho colocadas a uma distância específica da entrada;
- instalação obrigatória de um tipo específico de forro de lona, mesmo existindo risco de incêndio;
- isolamento acústico completo;
- estradas de acesso e pátios totalmente pavimentados;
- paredes internas e tectos rebocados e pintados (proibição de tijolo à vista);
- instalação obrigatória de para‑raios;
- pastores apenas podem exercer se tiverem formação teológica numa instituição acreditada;
- apenas instituições que ofereçam cursos de Ciência e Tecnologia podem ministrar Teologia;
- igrejas que pretendem registar‑se devem comprovar ter mil membros.
Embora, em teoria, as regras se apliquem a cristãos e muçulmanos, fontes locais cristãs afirmam que muito menos mesquitas têm sido afectadas.
Cristãos presos por celebrar a ceia no Ruanda
Cinco cristãos foram presos este ano depois de celebrarem um culto de ceia numa igreja doméstica. Embora a condenação tenha sido proferida em novembro de 2025, as detenções só ocorreram agora. O casal que disponibilizou a casa foi acusado de “recusar-se a deixar de testemunhar a fé”, segundo relatou uma fonte à Portas Abertas.
Até ao momento, esta é a terceira prisão relacionada com a lei de 2018. Em março de 2018, seis pastores foram detidos por se oporem ao encerramento de igrejas em Kigali. Em 2019, o governo prendeu também um missionário norte-americano e recusou renovar o seu visto de permanência no país.
O presidente Paul Kagame tem manifestado publicamente a sua oposição à reabertura das igrejas. Em novembro, declarou:
“Se dependesse de mim, eu não reabriria nem uma única igreja.”
Para o governo, a igreja é considerada um vestígio do período colonial.
Um analista da Portas Abertas afirmou:
“A declaração do presidente Paul Kagame de que as igrejas encerradas não serão reabertas mostra que as acções do governo vão muito além da regulação legítima de padrões de higiene e saúde pública. Condenar pessoas à prisão por testemunharem e reunirem‑se em encontros domésticos revela uma tentativa deliberada de controlar e suprimir instituições religiosas e a prática livre da fé.”
Desperta África: pelo fim da violência e início da cura
A perseguição no Ruanda é um reflexo da crescente pressão sobre cristãos em toda a África Subsaariana. Fortaleça a Igreja Perseguida participando na campanha Desperta África. Assine a petição.
Como orar pela igreja no Ruanda e na África Subsaariana?
- Ore para que o governo do Ruanda tenha uma mudança de coração e alivie os requisitos impostos aos locais de culto.
- Interceda por sabedoria e discernimento para os líderes cristãos, que estão a ser monitorizados de perto.
- Agradeça pelo testemunho fiel dos cristãos presos e ore para que o Senhor os sustente e fortaleça.
- Ore para que o Reino de Deus avance e floresça na África Subsaariana apesar das restrições cada vez maiores.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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