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Quem são os extremistas Fulani? 

Entre a etnia fulani, existem alguns extremistas islâmicos que perseguem cristãos na Nigéria

Publicado em 09 Fev 2026 • Atualizado em 06 Fev 2026

Grupos radicais de origem fulani invadem aldeias, incluindo casas e propriedades de cristãos, causando a morte de milhares de pessoas na Nigéria (imagem ilustrativa)

Entre a etnia fulani, existem extremistas islâmicos que actuam sobretudo em aldeias cristãs na região do Cinturão Médio da Nigéria. Com frequência, este grupo realiza ataques indiscriminados durante a noite contra a população local. No entanto, esta situação não é recente. Confrontos entre diferentes grupos fulani — tradicionalmente criadores de gado e agricultores — têm resultado na morte de milhares de pessoas na Nigéria ao longo das últimas décadas. 

De acordo com o Índice Global do Terrorismo de 2023, os extremistas provenientes da etnia fulani são considerados o quarto grupo mais letal do mundo. Ainda assim, é difícil fazer generalizações acerca dos fulani, pois, na maioria dos casos, estes extremistas nómadas não se conhecem entre si e actuam de forma independente. Não existem evidências de que os extremistas fulani possuam um objectivo político definido. Além disso, por não constituírem um grupo unificado, torna-se complexo para as autoridades desenvolver um plano eficaz para pôr termo aos conflitos. 

Quem são os fulani? 

Os fulani constituem um grupo étnico presente em toda a África Ocidental e Central, estendendo-se do Senegal até à República Centro-Africana. Crê-se que sejam o maior grupo nómada do mundo, isto é, pessoas que não possuem residência fixa. Na Nigéria, alguns fulani continuam a viver como criadores de gado semi-nómadas, enquanto outros se estabeleceram nas áreas urbanas. Ao contrário daqueles que se integraram nas cidades, os grupos nómadas passam a maior parte da sua vida em constante deslocação, atravessando regiões desérticas, e estão mais directamente envolvidos nos confrontos violentos. 

Menino Conduzindo Gado Na Nigeria
Os fulani são considerados o maior grupo nómada do mundo e, tradicionalmente, dedicam‑se à criação de gado 

Uma vez que necessitam de vastas áreas para o pastoreio do seu gado, os extremistas entram frequentemente em confronto com comunidades que dependem de terras agrícolas. Com frequência, encontram-se ligados a outras etnias, como os hausas. Alguns referem-se a estes grupos como hausa‑fulani; contudo, tratam-se de grupos distintos. Os fulani desempenharam um papel determinante no renascimento do islão na Nigéria durante o século XIX. 

Qual é a origem dos conflitos provocados por extremistas entre os fulani? 

Segundo a BBC, os desentendimentos relacionados com o uso de recursos essenciais, tais como terras agrícolas, áreas de pastagem e fontes de água, entre fulani e agricultores locais, são considerados a principal causa destes conflitos. Criadores de gado fulani deslocam-se centenas de quilómetros, em grande número, com os seus rebanhos, em busca de pasto. Como forma de proteger o gado, encontram-se frequentemente armados. 

Com regularidade, os extremistas entram em confronto com agricultores, que os acusam de danificar as culturas agrícolas e de não estabelecer limites claros para o pastoreio dos animais. Estes confrontos costumavam restringir-se à região central da Nigéria, incidindo sobretudo sobre comunidades agrícolas cristãs, em especial no estado de Plateau. No entanto, o impacto contínuo das alterações climáticas sobre as terras de pastagem levou os nómadas fulani a deslocarem-se para o Sul, em busca de pastagens e água. 

Esta situação alargou o alcance geográfico do conflito, tendo sido registados mais incidentes mortais em várias zonas do Sudeste do país. Tal realidade aumentou o receio de que a violência venha a ameaçar a frágil unidade existente entre os diversos grupos étnicos da Nigéria. 

Porque é que o conflito com os extremistas fulani é cruel e complexo? 

Para além dos confrontos com agricultores, existem alegações de que extremistas entre os fulani estiveram envolvidos em assaltos armados, abusos sexuais e violência comunitária, especialmente nas regiões Centro e Nordeste da Nigéria. Acusações semelhantes foram igualmente feitas contra estes grupos no Gana e na Costa do Marfim. Grande parte da violência no Centro da Nigéria remonta aos confrontos ocorridos em 2002 e 2004, em Yelwa, na área de Shendam, no estado de Plateau, onde milhares de pessoas perderam a vida. 

Vitima De Ataque Fulani Na Nigeria
Naomi, vítima de um ataque perpetrado por militantes de origem fulani na Nigéria 

Na ocasião, a polícia anunciou a detenção de vários militantes fulani, encontrados fora da capital, Abuja, na posse de “armas perigosas”. Associações representativas do povo fulani têm negado reiteradamente qualquer ligação a militantes armados, afirmando que são frequentemente responsabilizados por crimes cometidos por outros grupos. 

De onde provêm as armas utilizadas por extremistas entre os fulani? 

A natureza letal da violência tem levado muitas pessoas a questionarem‑se sobre a origem das armas utilizadas pelos extremistas fulani para perpetrar estes ataques. Segundo a BBC, um antigo comissário da polícia federal, Abubakar Tsav, afirmou que as armas mais comuns neste tipo de conflitos são metralhadoras AK‑47. Referiu ainda que os conflitos na Líbia e no Mali têm contribuído para o aumento da proliferação de armas no país, uma vez que as fronteiras porosas da Nigéria se revelam difíceis de controlar. Outra teoria aponta para a possibilidade de os extremistas fulani adquirirem armamento através do mercado clandestino existente em várias regiões da África Ocidental e Central. 

Qual é a gravidade do conflito com os extremistas fulani? 

Este conflito tem custado milhares de milhões de dólares à Nigéria, a maior economia de África. Tal situação compromete o desenvolvimento do mercado e o crescimento económico, ao destruir recursos produtivos e ao dificultar o comércio, conforme indicam relatórios recentes sobre a economia nacional. O recrudescimento da violência perpetrada por extremistas de origem fulani representa igualmente um sério desafio à segurança de uma nação já fragilizada pela actuação do grupo Boko Haram, no Nordeste do país. 

Ao contrário da crise associada ao Boko Haram, que se encontra concentrada numa parte específica do território, o conflito com militantes fulani estende‑se a quase todas as regiões das nações mais populosas de África. A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou estar preocupada com a “total impunidade de que têm beneficiado os responsáveis por ataques anteriores” e apelaram ao governo para que intensifique os esforços no sentido de proteger os seus cidadãos. 

Plantacao Na Nigeria
As terras pertencentes a agricultores têm sido alvo de procura por parte de pastores fulani na Nigéria 

Relatos nos meios de comunicação social locais indicam que o governo está a trabalhar na elaboração de uma lei destinada a estabelecer áreas de pastagem em todo o país, como forma de pôr termo às tensões entre grupos agrícolas e agro‑pastoris rivais. Contudo, a iniciativa tem‑se revelado impopular entre muitos sectores da população, especialmente no Sul. “Os criadores de gado fulani gerem um negócio com os seus rebanhos; porque deveríamos nós abdicar das nossas terras em função dos interesses deles?”, afirmou um agricultor na plataforma X (antigo Twitter). 

De que forma os cristãos são perseguidos por extremistas fulani?

 Os cristãos têm sido alvo de ataques violentos perpetrados por extremistas entre os fulani. Comunidades cristãs são invadidas, bens e terras agrícolas são incendiados, e pessoas são mortas. Como consequência destes incidentes, milhares de cristãos foram forçados a abandonar as suas habitações e vivem actualmente em abrigos improvisados, sem acesso adequado a produtos de higiene, alimentação suficiente e água potável. 

De que maneira a Portas Abertas apoia os cristãos atacados por extremistas fulani? 

A organização Portas Abertas tem estado envolvida no apoio a cristãos perseguidos em África há muitos anos. Uma das suas principais áreas de actuação consiste em capacitar igrejas locais, preparando‑as para socorrer e discipular cristãos que enfrentam circunstâncias extremamente difíceis. Outra forma de apoio inclui a prestação de cuidados pós‑trauma aos cristãos atacados, bem como a disponibilização de formação específica, com vista a fortalecê‑los para resistirem à perseguição e continuarem a ser discípulos fiéis de Jesus Cristo nas suas comunidades. 

PERGUNTAS FREQUENTES

Todos os fulani são extremistas? 

Não. A etnia fulani constitui um grupo social diverso. Entre os seus membros, existem alguns que aderem ao extremismo, procurando impor a sua visão religiosa e alcançar determinados interesses económicos, nomeadamente relacionados com a posse de terras. Afirmar que todos os membros de uma etnia são extremistas constitui uma generalização injusta e preconceituosa. 

Os ataques de extremistas fulani podem ser considerados perseguição religiosa? 

O conflito entre pastores fulani e agricultores na Nigéria tem múltiplas causas. Contudo, é um facto que extremistas de origem fulani procuram impor o islamismo e reagem com extrema violência contra cristãos que se recusam a renunciar à sua fé. Acresce que, do ponto de vista social, a maioria dos pastores é muçulmana, enquanto muitos dos agricultores são cristãos, o que faz com que o conflito sociopolítico seja agravado por factores de natureza religiosa. 

Os extremistas de origem fulani são apoiados por algum grupo extremista organizado? 

Por se tratar de um grupo essencialmente nómada e não unificado, não existem relatos consistentes que confirmem envolvimento directo ou alianças formais com outros grupos extremistas. Ainda assim, os militantes fulani são considerados entre os grupos mais letais do mundo. 

Quebre o silêncio sobre a violência contra os cristãos em África 

Pode, de forma prática, apoiar os nossos irmãos na fé da África Subsaariana, vítimas de violência extrema por permanecerem fiéis a Jesus Cristo. Assine agora a petição da campanha Desperta África e levante a sua voz em favor do fim da violência e do início de um processo de cura. 

A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

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