O que é o Talibã?
Publicado em 01 Jul 2026 • Atualizado em 28 Jul 2026

O Talibã é um grupo de natureza política que recorre a tácticas de guerrilha e a ataques suicidas para impor o seu controlo sobre o território no Afeganistão. Em 15 de Agosto de 2021, os jihadistas tomaram Cabul, a capital do país, quase 20 anos após terem sido expulsos da cidade pelas forças norte-americanas.
Apesar disso, permaneceram activos, sobretudo nas regiões do interior do Afeganistão e no Paquistão. O principal objectivo do Talibã é estabelecer uma sociedade regida pela sharia — um conjunto de leis islâmicas que rejeitam a influência da cultura ocidental e promovem a jihad (entendida como guerra santa contra os não muçulmanos).
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Em 2020, o Afeganistão foi considerado o país mais inseguro do mundo, de acordo com o Índice Global da Paz de 2021. Pelo segundo ano consecutivo, o Talibã foi identificado como o grupo mais letal no Índice Global do Terrorismo. Só em 2019, os ataques levados a cabo por este grupo causaram a morte de 5.725 pessoas.

A maioria dos seus integrantes pertence à etnia pashtun. Muitos associaram-se a extremistas da Al-Qaeda, contando actualmente com apoio ao nível de logística, armamento e financiamento. Estima-se que o grupo tenha entre 25 mil e 60 mil combatentes, incluindo jovens provenientes de contextos de grande pobreza ou orfandade.
Existe ainda uma base contínua de recrutamento proveniente de madrassas (escolas islâmicas) no Paquistão. Estes novos recrutas substituem aqueles que morrem em combate, os que são presos pelas autoridades e os que se entregam à morte em nome de Alá.
Quando e como surgiu o Talibã?
O Talibã surgiu em 1994 a partir de grupos localizados na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, que já combatiam a invasão soviética em território afegão desde 1979. Estes combatentes anticomunistas receberam armamento proveniente dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Paquistão entre 1987 e 1989. Contudo, após a retirada das tropas soviéticas em 1989 e a queda do governo comunista três anos mais tarde, os diferentes grupos armados passaram a confrontar-se entre si. Foi nesse contexto de instabilidade que o Talibã acabou por ocupar Cabul, a capital, agravando‑se os conflitos internos.
Em Outubro de 1994, cerca de 40 estudantes reuniram-se com dois líderes influentes, o mulá Abdul Salam Zaeef e Mohammed Omar, com o propósito de restaurar a paz no Afeganistão, desarmar os grupos armados, combater a criminalidade e estabelecer a sharia. Mohammed Omar foi então nomeado comandante, dando início a uma nova fase governativa marcada pelo domínio da minoria étnica pashtun e por uma interpretação religiosa extremamente rigorosa.
A população, cansada da instabilidade, viu com esperança a possibilidade de restabelecimento da ordem no país e passou a apoiar o grupo que viria a ser conhecido como Talibã. Inicialmente, possuíam poucos recursos — apenas algumas armas e uma antiga motocicleta russa — mas, com o apoio popular, o número de combatentes cresceu rapidamente, ultrapassando os 400 homens. Posteriormente, o Paquistão intensificou o seu apoio ao movimento, na esperança de que este viabilizasse a construção de um gasoduto e se tornasse um aliado nas disputas com a Índia.
Como o Talibã chegou ao poder?
Após o colapso do regime comunista no final de 1991, o Afeganistão mergulhou numa guerra civil. Nesse cenário, o Talibã apresentou-se como uma alternativa para restaurar a ordem e a segurança. O grupo conquistou progressivamente cidades importantes, como Kandahar, Herat e, finalmente, Cabul, em Setembro de 1996.
Foi então proclamado o Emirado Islâmico do Afeganistão, no qual se impôs uma versão extremamente rígida da sharia. Essa imposição levou à exclusão das raparigas das escolas, à retirada das mulheres do mercado de trabalho e à obrigatoriedade do uso da burca em público.
Além disso, foram proibidas celebrações, a música deixou de ser permitida e os homens passaram a ser obrigados a deixar crescer a barba e a seguir estritamente os preceitos do islão. As execuções públicas tornaram-se frequentes e, em casos de roubo, eram aplicadas punições severas, como a amputação das mãos. Mulheres acusadas de adultério enfrentavam, igualmente, condenações extremas, incluindo a morte por apedrejamento.

Durante esse período, apenas o Paquistão, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos reconheceram oficialmente o regime. Contudo, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, a presença de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, em território afegão levou a uma intervenção internacional. Nesse mesmo ano, uma coligação liderada pelos Estados Unidos invadiu o país e removeu o Talibã do poder.
Apesar disso, o grupo manteve-se activo, conduzindo uma insurreição contra o governo afegão e as forças internacionais. Em 2017, o Talibã dirigiu uma carta aberta ao então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual apelava à retirada das forças norte-americanas do país.
Em 2020, foi celebrado um acordo de paz, segundo o qual os Estados Unidos se comprometiam a retirar as suas tropas do país e a libertar mais de cinco mil prisioneiros do Talibã. Em contrapartida, o grupo assumia o compromisso de tomar medidas que impedissem que eles próprios e outros grupos islâmicos, como a Al-Qaeda, utilizassem o território do Afeganistão para perpetrar ataques contra os norte-americanos e os países aliados.
Porém, a paz não se concretizou, e a violência no país atingiu o nível mais elevado em duas décadas. Em junho de 2021, o Talibã afirmou controlar entre 50% e 70% do território afegão. Permanece inalterada a mensagem do Talibã, não evidenciando qualquer sinal de redução do nível de violência no Afeganistão, de modo a facilitar as negociações de paz com o governo e outras partes interessadas afegãs”, advertia um documento das Nações Unidas.

Quem são os líderes do Talibã?
Desde 2016, Hibatullah Akhundzada lidera o Talibã. O seu nome significa, em árabe, “presente de Deus”. Trata-se de um erudito afegão oriundo de Kandahar, a segunda maior cidade do país. Participou na resistência islâmica durante a década de 1980 e é, sobretudo, reconhecido mais como um líder religioso do que como um líder militar. Durante o regime talibã, foi responsável pelos tribunais e emitiu numerosas sentenças que previam a punição de pessoas, violando os direitos humanos, incluindo execuções públicas.
O atual líder do grupo extremista terá cerca de 60 anos e mantém estreitos laços com a Quetta Shura, o conselho de liderança superior do Talibã estabelecido na província de Baluchistão, no Paquistão. Assumiu a liderança após a morte do mulá Akhtar Mansour, cujo veículo foi atingido por um ataque com recurso a drone. Segundo informações internas, o então segundo líder do grupo já havia designado Akhundzada como seu sucessor em testamento.
Outro homem que desempenha um papel fundamental nas atividades do grupo é o mulá Abdul Ghani Baradar. Este foi um dos fundadores do Talibã e esteve detido entre 2010 e 2013. Atualmente, lidera o comité político do movimento e já se reuniu com Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros da China.
Como o Talibã persegue os cristãos no Afeganistão e no Paquistão?

Todos os cristãos afegãos são antigos muçulmanos e não podem viver a sua fé de forma aberta. Se forem descobertos, terão de fugir do país — classificado em 11.º na Lista Mundial da Perseguição de 2026 — ou enfrentar o risco de serem mortos. Alguns, considerados “loucos” por terem abandonado o islamismo, foram internados em hospitais psiquiátricos. O simples facto de explorar qualquer fé que não seja a revelada a Maomé é visto como inadmissível, sendo frequentemente tomadas medidas para forçar os que se desviam a regressar e a submeter-se novamente ao islamismo. Assim, não tem sido necessário realizar ataques diretos contra aqueles que seguem a Jesus, pois a sua identidade permanece oculta.
Contudo, no Paquistão, a realidade é diferente, uma vez que cerca de quatro milhões de pessoas professam a fé em Jesus. Muitos dos ataques perpetrados contra não muçulmanos são atribuídos ao grupo Tehrik-i-Taliban, que frequentemente age sem enfrentar consequências significativas. Tal deve-se, em parte, ao facto de o país se assumir como muçulmano desde a sua independência, em 1947, e de haver tolerância em relação ao ambiente que favorece a formação de extremistas em algumas madrassas paquistanesas.
Apesar da aparente “liberdade”, a discriminação contra os cristãos encontra-se institucionalizada, sendo-lhes frequentemente reservados trabalhos considerados indignos e depreciativos. Alguns chegam mesmo a ser vítimas de trabalho forçado. Outra forma de hostilidade manifesta-se através da lei da blasfémia, ao abrigo da qual muitos são acusados, presos e até condenados à morte, por não concordarem com narrativas e valores islâmicos, como aconteceu com a cristã Ásia Bibi.
A Palavra de Deus para os cristãos afegãos
No Afeganistão, um dos principais cenários de atuação de grupos extremistas como a Al-Qaeda e o Talibã, há pessoas que têm conhecido Jesus por meio da Sua Palavra. Contribua para levar Bíblias aos cristãos afegãos, para que sejam fortalecidos na fé e possam alcançar outros com a esperança que há em Jesus.
A Redação Portas Abertas Portugal é a equipe editorial de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco à segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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